Turismetrô

Num sábado, meu marido e eu resolvemos fazer um passeio diferente por São Paulo; fomos até a estação Sé do Metrô, localizamos o quiosque do Turismetrô, escolhemos um dos roteiros de passeio oferecidos, nos identificamos e nos juntamos ao grupo que aguardava a guia que nos levaria a essa aventura.

Nosso roteiro consistia em caminhar pelo centro velho de São Paulo, com explicações em cada parada, dentre elas algumas igrejas, Teatro Municipal, praças e a faculdade de direito do Largo São Francisco.

Parecia interessante, e era. Ficamos sabendo de curiosidades como o motivo de a estátua do maestro Carlos Gomes, tão imponente na Praça Ramos de Azevedo, ter sido construída de costas para o Teatro Municipal, ou o fato de a Igreja de São Gonçalo, na Praça João Mendes, ter missas rezadas em japonês, exclusivamente para a colônia amiga que se localiza no bairro da Liberdade etc…

Mas, ao chegarmos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco é que o roteiro, que parecia interessante, se tornou surpreendente. A guia nos explicava a origem da Faculdade, quando o grupo foi abordado por um rapaz trajando uma roupa saída dos anos 40 que começou a discorrer sobre os antigos alunos daquela universidade e os movimentos ali acontecidos.

Sua eloquência era grande, mas sua esquisitice era maior; parecia um daqueles malucos que circulam pelo centro da cidade, que chamam nossa atenção quando passamos. Mas esse rapaz não nos chamava a atenção, ele nos prendia a atenção.

Sua intervenção durou cerca de dez minutos e emocionou a todos. Encerrada sua participação, nosso personagem se misturou aos transeuntes que por ali passavam e desapareceu.

Entre surpresos e emocionados, ficamos sabendo pela nossa guia que essa participação fora programada pelos organizadores do passeio e o rapaz era um ator contratado para esse desempenho.

São Paulo nos surpreende em suas pequenas coisas, até nós, os paulistanos, quando resolvemos fazer um simples passeio a pé pelo centro da cidade…

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