Rua Formosa

Será o meu caminho diário nos próximos quatro anos. Nos dois sentidos. Nove de Julho, e Avenida São João. As duas mãos dos trilhos dos bondes marcam a época que por ali eles transitavam no calçamento de paralelepípedos. O seu entorno é dominado pelo Viaduto do Chá; prédio do Lar Brasileiro, com o símbolo da Cia. Gulf de gasolina no topo; os baixos da Cia. Light de energia elétrica; do lado oposto, o Hotel São Paulo; e no Viaduto do Chá o prédio das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.

Mas quase que diariamente eu faço uma visita ao Edifício CBI e Esplanada, entro a maior parte pela porta do Esplanada, por conta do meu oficio de mensageiro. O Cine Cairo fica logo ali, na mesma calçada. Do outro lado da Avenida São João, o majestoso prédio dos Correios e Telégrafos, aonde vou com montanhas de circulares envelopadas para o despacho. Certa vez, logo de manhã, entrei no Cine Cairo para dormir. O cinema tem seção corrida a partir das 10 horas. Quem noite mal dormida teve, é ali a desforra.

A rua tem certas particularidades. Um restaurante só para mulheres mantido pela Liga das Senhoras Católicas, nos baixos do viaduto. Da rua, o cheiro da comida faz os sentidos acordarem. Mas o seu lado par foi mutilado a favor do Vale do Anhangabaú. Os números ficaram ímpares.

Do prédio CBI fica a lembrança marcante do texano Clarence Earl Johnson, um americano alto, sempre vestido de calças jeans e chapéu de vaqueiro. Ele é o meu empregador. O seu jeep willys verde é o seu companheiro inseparável. O prédio que eu trabalho fica na Rua João Adolfo, 118.

O dia mais lembrado é um desfile de 7 de Setembro no Vale do Anhangabaú, com todo aquele aparato militar.

Década de 50.

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