Externato Casa Branca e o fim do piloto voador

Neste primeiro de maio, muitas lembranças do brasileiro que gostava de voar nas pistas e que com a notoriedade batizou o famoso "S" do circuito de Interlagos em São Paulo. Ele não virou um Pintacuda*, que em minha infância virou sinônimo de corredor veloz. O nome Senna foi alçado pelo povo e pela mídia mais na categoria de mito.

No ano de 1963, aos nove anos de idade, cursava a 3ª série primária, no Externato Casa Branca, situado na alameda de mesmo nome e distante 100 metros de minha casa. Tinha um colega de classe que era bem diferente dos demais; sua faixa etária era a mesma, mas ele era grandalhão e muito falante. Gostava de contar sobre as infindáveis viagens de família por vários países, o que nos deixava meio intimidados, mas também meio desconfiados, pensando que era exagero. Todos os dias chegava num carro todo branco com um pneuzinho saliente no porta-malas dirigido pelo motorista da família; era um Simca Chambord Presidence, penso que muito poucos foram produzidos.

Certo dia, no meio do mês de junho daquele ano de 63, chegou o motorista e, junto com a diretora, veio conversar com nossa professora para dispensá-lo, por motivo de morte na família. Quando informaram a ele o motivo daquilo tudo, ele que era muito espalhafatoso foi logo gritando, "Foi o "Bino" Heins que morreu, e ele era como se fosse de minha família." Naquele momento todos na sala ficaram sem entender.

Só há muito pouco tempo é que fui rever a história de nossos pilotos de automobilismo e me deparei com a biografia fantástica de Christian Heins, nascido em São Paulo em 16/01/35, que morou no Brooklin e faleceu na pista de Le Mans pilotando um Willys Interlagos em 16/06/63, aos 28 anos. O pai era de origem alemã, Carl Heinrich, e a mãe italiana, Giuliana de Fiori, daí o famoso apelido "Bino", que vinha de bambino. Bino era um fenômeno não só da pilotagem, mas também da mecânica, artes em que foi iniciado pelo seu avô materno, que era médico conceituado.

Alguns antigos moradores do bairro lembram do garoto dirigindo o carro do avô um Ford Ânglia. Christian era um conceituado executivo da Vemag e chefiava seu Departamento de Competições. Era casado e tinha uma filha.

Muitos brasileiros têm a ideia errônea de que Emerson Fittipaldi foi o primeiro brasileiro a se destacar nas principais categorias do automobilismo internacional. Não podemos esquecer dos anteriores e, além de Bino, de Chico Landi, que correu na Ferrari, como Barrichello.

(*) = piloto italiano Carlo Pintacuda

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