Em 1962 trabalhava na região central da capital de São Paulo. Certo dia passava eu pela Rua 24 de Maio, ouvi uma propaganda veiculada num carro de som, dizendo que no "Teatro Santana" ia ter uma sessão de striptease… Eu não entendi nada, afinal, o que é striptease.
O veículo circulava vagarosamente devido o trânsito, fiz questão de chegar perto, isto caminhando pela calçada, sentido Praça da República, afinal a referida via pública era e é de pouco espaço, na época veículos estacionavam, dia par, lado par, dia ímpar, lado ímpar.
Vi um cartaz contendo fotos de mulheres com pouquíssima roupa, seminuas, foi que entendi o que era striptease.
Na infância e juventude a gente torcia pra que viesse um vento, um redemoinho, pra que levantasse a saia de alguma moçoila, daí a gente via as pernas, aliás, nesses tempos as mulheres não usavam calças compridas.
Sendo menor de idade jamais poderia assistir a esse tipo de espetáculo, que era censurado. Ao completar 18 anos resolvi matar a curiosidade: conhecer o Teatro Santana, e ver de perto.
Foi a primeira vez que adentrava numa casa de espetáculos, meio acanhado comprei o ingresso, mil pensamentos na cabeça. Foram cinco horas de atrações, que tinham início, meio e fim, peças em três atos, intercaladas com striptease. Não recordo o nome de todos os atores participantes, apenas lembro do artista por nome "Picholó", isto porque ele se apresentou por várias vezes no Pavilhão Françoise, Circo da família do Tonico & Tinoco, que permaneceu por muitos anos na Rua Vemag com a Rua Lício de Miranda – Vila Carioca – Ipiranga-SP. Toda vez que ele ia ao circo dublava a rainha do rock "Cely Campelo", com a música "Estúpido Cupido".
Teatro Santana, tinha lá um pequeno palco, abaixo do lado esquerdo da entrada ficavam dois músicos, sendo um pianista e um baterista, como já disse em outra ocasião, anos depois voltei lá, e daquela vez as músicas eram na base do toca fitas.
Na primeira fila sentavam nas cadeiras os mais idosos, que ficou conhecido como sendo a "Fila do gargarejo". Não sei se era combinado, uma dançarina ou outra chamava um dos idosos até o palco e dizia qualquer coisa, e mesmo quem não estivesse bem humorado caía numa infinita gargalhada. Era uma maneira de fazer com que os idosos participassem do show.
No jogo de luzes, elas, seminuas iam se exibindo com gestos sensuais, provocando a plateia, tiravam toda indumentária, aliás, indumentária e força de expressão, e chegava nos finalmentes, mas na hora "H" colocavam um tapa sexo no formato de coração e encerrava o show. Daí todos queriam mais…
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