Foi em mais um Sarau Chama Poética, evento da Secretaria de Estado da Cultura realizado dia 4 de abril último, no Museu da Língua Portuguesa. Todo mês uma personalidade é homenageada no sarau. Naquela tarde de sábado foi a vez do cantor e compositor Adoniran Barbosa, ou o João Rubinato, nascido em 06 de agosto de 1910 e filho de imigrantes italianos. Ernesto Paulelli, de 94 anos, foi recebido como convidado especial no museu. Foi ele que em 1955 inspirou Adoniran a compor "O Samba do Arnesto".
"Foi o Senhor mesmo, com esta fértil imaginação, que me arrumou esta treta", disse Ernesto Paulelli a Adoniran, interpretado pelo ator e poeta Alex Dias neste sarau, em seguida arrancando risadas das cerca de 50 pessoas presentes.
Ao ser entrevistado por Fernanda de Almeida Prado, Ernesto contou histórias de Adoniran e do bairro do Brás. Em 1955, lembrou, Adoniran criou o famoso samba porque "Arnesto dava samba", segundo ele.
Brás antigo das Porteiras
O segredo de manter-se disposto aos 94 anos? "Disciplina", respondeu Ernesto. "Uma alimentação adequada, sem exagero". Ele recordou momentos de sua vida, como aquele que em 1928, aos 14 anos, morava no Alto da Mooca, na Rua Madre de Deus, e ia a pé até a "antiga travessa do Brás", hoje Rua Jairo Góes, para o trabalho – ele entrava às 7 da manhã. "Havia porteiras na Rua Visconde de Parnaíba. E o bonde, que eu pegava para trabalhar parava, para dar preferência ao trem. Eu descia do bonde e saía correndo pela Rua Piratininga, para alcançar a Rangel Pestana. Eu era um empregado que não chegava atrasado. Chegava dois minutos adiantado", recordou ele.
Houve ainda participação do cantor Nando Távora, apresentando o "Sobradão do Arnesto". No final, todos cantaram o antigo samba que todo o País conhece, além de Saudosa Maloca e Trem das Onze.
O Sarau Chama Poética foi criado há quatro anos na Casa das Rosas, estendendo-se para o museu e o Sesc Ipiranga. O próximo será durante a Virada Cultural, que acontece dias 1, 2 e 3 de maio.
Um quadro de presente para o Arnesto, dado pelo Jornal do Brás à lenda viva do bairro. A pintura é de Silvane Falchi Thame
O texto é de Eduardo Cedeño Martellotta e as fotos de Nil Andrade publicados no Jornal do Brás, que tem como Diretor Responsável o amigo Milton George Thame.
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