Avenida Paulista, 200 – Zona postal 03

Naquele tempo se falava em pegar o bonde e ir ao centro da cidade. E lá ia eu, pegava o bonde na parada Indianópolis e descia na parada Paraíso. Nesta parada, bem na calçada, o prédio da indústria era enorme, vapores das caldeiras a toda potência saíam até pelas grandes janelas que davam para a rua, sem falar na imensa chaminé que bufava de tanta fumaça lá em cima. Lá ficava a Indústria da Brahma, e eu sempre imaginando com meus botões quantas garrafas de guaraná e soda limonada sendo engarrafadas, era fantástico.

Mas esse não era o meu destino, era um pouco mais à frente. Seguia pela Bernardino de Campos (acho que esse é o nome da rua ou avenida) e de lá à Praça Osvaldo Cruz era um pulo. De um lado da praça, a loja da Sears Roebucks, que era mais uma coisa mágica do que verdadeiramente uma loja, tal era seu "glamour" e encanto, que me deixava pensando como é que podia existir uma loja assim.

Quase que em frente à Sears, mas do outro lado da Praça Osvaldo Cruz, começava a Avenida Paulista e este era o meu destino, sim, era a Avenida Paulista, 200, zona postal 03: Sanatório Santa Catarina.

Irmão de meu pai, meu tio Emílio era o Diretor Administrativo do Sanatório, e como os serviços dos Correios em Indianópolis nos anos 60 eram precários, todas as correspondências de nossa casa eram para lá remetidas, e eu sempre, lá em casa, tomava a iniciativa de buscar as cartas, revistas e outras coisas vindas pelos Correios.

Mas o que mais me interessava mesmo nesta pequena viagem era ir a um viveiro que ficava nos jardins do Sanatório, cuidado por uma das Irmãs da Ordem de Santa Catarina, que já em idade avançada só cuidava de seus canarinhos. Mas o mais o curioso é que este viveiro era uma casa, toda vedada em telas para que os passarinhos não escapassem e que até há pouco tempo atrás ainda estava por lá, mas que seguramente não deve ser mais um viveiro.

Naqueles longínquos anos 60, um menino de 13 ou 14 anos "pegava" o bonde ia e voltava para casa e quase nenhum perigo corria. Tempos inesquecíveis e quase que inacreditáveis para os dias hoje. Nunca mais.

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