Mentira, a grande ilusão

Hoje é primeiro de abril de 2009, dia mundialmente comemorado como o dia da mentira.

Toda a imprensa televisada ou radiofônica dá ênfase à data, psicólogos são chamados para opinarem sobre o comportamento enganoso das crianças, que, para os pais, muitas vezes, são consideradas engraçadinhas porque foi só uma mentirinha que elas, as crianças, contaram.

Não sabem ou fingem esses pais que aquela pequena farsa representa um defeito de educação que se refletirá para o resto da vida da pessoa.

Quando éramos crianças, há meio século, líamos histórias em que personagens tais como o Pinocchio eram castigadas quando falavam mentiras; o seu nariz crescia. O grilo falante, que representava a sua consciência, logo vinha chamar-lhe a atenção sobre o erro feito.

Outras personagens, em outros contos, também não mentiam, esse hábito era algo presente devido às más consequências que traziam.

Aliás, nos contos daquela época não se dava cartaz às más qualidades. Podíamos ler livros, gibis do Fantasma, Capitão Marvel, Durango Kid, Hopalong Cassid, Mandrake, histórias infantis em quadrinhos do Pinduca, do Mickey, do Bolinha, do Gasparzinho, do Pato Donald e quantos outros mais, e esse defeito não era nunca exaltado.

Revistas outras como O Cruzeiro e Manchete traziam reportagens mais dedicadas aos adultos. Não havia revistas, como existem hoje, voltadas à exploração do nu, que em momento algum é voltado à arte.

Foi nessa época que, por influência dos lóbis orientais, inventou-se que essas histórias e personagens causavam danos à mente das crianças. Surgiu então, para uso nas televisões, os vídeo games com jogos e aparência dos figurantes a mais animalesca possível, em que o mais violento será o vencedor.

Se naqueles velhos tempos não havia marginalidade, prostituição e delinquência infantil e um tapa nos fundilhos fazia parte da maneira de educar, será que deixar falar uma mentirinha foi um bom negócio?

Sinceramente acho que não, hoje vejo nos noticiários meninos e meninas que até matam e seus pais, quando conseguem sobreviver, correm para a frente das câmeras, para criticar os policiais ou qualquer outro órgão que querem aplicar um corretivo.

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