Namorando em São Paulo (Moon Auto Cine)

Quem mora ou morou na zona sul, na região de Santo Amaro, deve se lembrar. Pegava-se a Avenida Washington Luís até a bifurcação do Jardim Marajoara, dobrava-se à esquerda na Avenida Interlagos e no primeiro semáforo, depois do Café Domínio, entrava-se à direita e pronto, ali ficava ele.

Começou como Auto Cine, um cinema ao ar livre onde os carros paravam em filas; era colocado um auto-falante em cada um, pedia-se comidas e bebidas. Vinham em uma bandeja, que ficava enganchada no vidro do carro. Essa modalidade de diversão, tão comum nos EUA, parece que não vingou por aqui. Como os casais nos carros, além de ver o filme, faziam "outras coisas", resolveram transformar o estabelecimento em Drive-In. Nesse caso a única modificação foi que aboliram o filme e cada carro ficava dentro de um box. Quando o cliente acendia a luz do box era para chamar a garçonete; ou para fazer um pedido ou para pedir a conta. Apagada a luz ninguém mais vinha incomodar.

Havia muitos Drive-in em São Paulo, em avenidas movimentadas e nas marginais.

Quando começaram a aparecer os primeiros motéis, os Drive-In foram declinando, mesmo porque a segurança também foi diminuindo e o risco de ser assaltado aumentou. Os motéis eram mais seguros; ERAM, porque depois eles também, por sua vez, começaram a ser vítimas de assaltos e arrastões. E o Moon Auto Cine, depois Drive In, também virou motel, onde esporadicamente eu dava o ar da minha presença, solteiro que era.

Os motéis também foram proliferando. Abundavam principalmente nas rodovias, nas saídas da capital. Havia para todos os bolsos, na forma de apartamentos simples, com ou sem TV, com ou sem sauna, com ou sem hidromassagem. Certa vez, em uma dessas minhas incursões, fomos surpreendidos por um barulho de cascata. Repentinamente começou a escorrer água pelas paredes. Fiquei surpreso porque não havia pago por um apê com cascata. Na verdade foi um cano que havia estourado no forro e alagou todo o recinto, obrigando-nos a abandoná-lo às pressas.

Nas cidades menores do interior, e cito Lins como exemplo, a implantação dessa modalidade de lazer sofreu uma certa resistência no início. Muitos casais tinham medo de serem reconhecidos na entrada ou na saída por outros que, como eles, poderiam estar lá dando a sua "puladinha de cerca".

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