Os jogos não eletrônicos
Hoje resolvi brincar. Vendo num filme americano recente duas personagens jogando o famoso "Banco Imobiliário" voltei para os tempos dos jogos em família, do tipo: "Leilão de Arte", "Detetive", "Ludo", "Memória", "Tômbola", "Damas", "Resta Um", e outros que agora não recordo. O meu quadro predileto no Leilão de Arte era o "Azul e Rosa", de Renoir, e eu adorava comprá-lo. Uma forma deliciosa de conhecer algumas obras de arte famosas para um público distante dos museus, na época. Mas o melhor da diversão era a aproximação entre os familiares que o jogo criava. No filme é a história de tia e sobrinha que se conheceram ("Sem Reservas") e passaram a viver juntas por motivo de força maior e dificuldades no início. O jogo foi um momento de entrosamento entre elas e muita diversão.
Pela quantidade de jogos que se vê à venda nas lojas de brinquedos sabemos que muitos ainda são utilizados pelas crianças e adultos, atualmente, apesar do mundo virtual e tantos jogos nos computadores. Eu mesma costumo presentear sobrinhos e afilhados com alguns dos antigos ou outros, criados posteriormente como: "A Senha", "Imagem e Ação" (que já gerou encontro de casais na casa de uma amiga, inclusive eu e meu marido), e uma variedade sem fim. Não sei se chegam a jogar, porque têm acesso a games dos mais modernos e famosos, mas acho válido. Afinal a imaginação das crianças precisa ser provocada.
Não adianta ficar pensando no antigamente e na disponibilidade de pais e filhos, como os da nossa geração, que se entretiam horas a fio com esses jogos. O mundo mudou e a disponibilidade também. Além de tudo, é preciso paciência que sempre tive para jogar com sobrinhos e primos que se revezavam para dormir em minha casa, pois meus pais, minhas irmãs e eu adorávamos entreter crianças com esses jogos, além de vários livros infantis que guardávamos na estante da sala.
O problema de hoje é que nem os pais, nem os filhos têm tempo para isto, devido à vida agitada das duas partes.
Porém, o objetivo desse texto, não é chorar pelos velhos tempos, é apenas compartilhar essas lembranças do jogar com a família, ou com amigos. A ansiedade, a emoção. A mãozinha de minha irmã caçula virando rápido as peças do jogo de memória para que nós não tivéssemos tempo de gravar a peça revelada e ela levar vantagem no jogo. Os personagens do jogo Detetive: chamávamos D. Violeta de D. Violenta e adorávamos, nessa época já com a participação da sobrinha mais velha.
Na minha infância eram os grandes magazines que vendiam os jogos: Mappin, Isnard, Sears etc. Mas havia uma loja no nosso bairro, Itaberaba, com uma vitrine cheia deles, além de bonecas lindas, que meu avô namorava, quando por lá passava, com vontade de presentear as três netas, filhas da única filha que tinha. A loja existe até hoje e vende também louças e outros presentes para casa, além dos brinquedos, claro.
Falta dizer que ainda tenho comigo uma boneca que ganhei quando tinha quatro anos de idade e que meu pai escondeu na casa desse mesmo avô para dar no Natal, junto com outra para minha irmã mais velha. Antes da data prevista, não suportando mais nossos olhares de curiosidade para as caixas sobre o guarda-roupa, decidiu nos entregar as bonecas revelando que o mérito era todo do suor do nosso pai para comprá-las e não do famoso velhinho Papai Noel.
Adoro presentear crianças e entrar em lojas de brinquedos procurando os que possam atrair e entreter mais. De preferência na mesma medida com que eu me empolgava com os jogos e o exercício da imaginação. Espero que as pessoas possam também se lembrar com emoção e tenham oportunidades de reviver e até jogar com filhos, netos, sobrinhos e amigos, de qualquer idade.
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