Desço no Congonhas pela enésima vez. Tomo uma táxi em direção a Interlagos. Motorista, corintiano de coração, animado, contente sobre a vitória de ontem.
Puxo prosa.
– Muito tempo em São Paulo?
– Uns trinta e poucos. Tô com quase sessenta! Cheguei moço aqui. Vim casado, para arrumar emprego. "Táva com 27".
– Veio de onde?
– Recife, sou pernambucano.
– Tem ido a Recife?
– Ano sim, ano não!
– Não quer voltar pra lá?
– Já sou paulista, moço. Tenho filhos e netos!! Saio daqui não!
– Sempre no táxi?
– Sim senhor, sempre no táxi.
– Então, São Paulo o senhor conhece bem?
– Seu moço, essa cidade é muito, mas muito grande, vixi Maria! Eu conheço um bocado, viu. Mas assim mesmo, tem hora que preciso da ajuda do guia. Parece que a cidade cresceu e não avisaram ninguém!
– E esse lado aqui o senhor conhece bem?
– É, essa região eu rodo desde que cheguei.
– Conhece bem Santo Amaro?
– Santo Amaro? Como a palma de minha mão!
(pausa, silêncio)
De repente, como quem quer deixar registrada uma resposta ilustrada, a qual o cliente não terá dúvida sobre o tamanho da cidade e também do seu conhecimento de taxista, diz o nosso ex-pernambucano:
– Êta Big São Paulo, cabe uma Recife, den'de Santo Amaro!
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