Da Vila Mariana mudamos para o Brooklyn, para ser mais precisa era um pouco mais à frente em direção a Santo Amaro, Bela Vista. Era quase no meio do mato, isto foi em 1949 ou 1950. A Avenida Santo Amaro nem existia, era uma estrada de terra bem estreita.
Os fundos de nossa casa davam para a linha do bonde, que mais parecia uma estrada de ferro, pois era um caminho só para a linha e toda em cascalho. A frente da casa dava para um terreno sem nenhuma construção. Tínhamos vizinhos em ambos os lados, além disso nada existia por lá.
Em frente à casa, já na Estrada de Sto. Amaro, como se chamava na época, ficava a Pensão da D. Assunta, que muitos anos depois se transformou num restaurante muito famoso em São Paulo. Não me lembro mais do nome, mas ficava perto do monumento do Borba Gato. Eu estudava numa escola na Avenida Paulista e imagino que tenha sido algo fora do comum, chegar lá. Meus pais não tinham carro nesta altura…
Éramos sócios do Clube Banespa, muito perto dali. Eu passava muito tempo lá, na piscina ou brincando com as crianças de lá. Lembro que, para cortar caminho, eu andava nos trilhos do bonde para entrar no clube, por uma entrada dos fundos. Uma vez, inclusive, caí e me machuquei bastante naquele cascalho. Penso hoje, que loucura que foi aquilo, poderia ter dado problemas sérios.
Felizmente esta lonjura durou pouco, ou infelizmente. Pois a saída de lá foi ocasionada por um assalto de grandes proporções. Os ladrões espalharam um pó qualquer, que deixou todo mundo atordoado. Com isso eles andaram pela casa toda e remexeram tudo sem ninguém se dar conta. Levaram dinheiro, jóias e outras miudezas e por fim fizeram um lauto lanche na cozinha, largando tudo sujo e revirado. Fico imaginando qual não foi o choque que meus pais levaram. Eu era muito pequena ainda e não entendi o que tinha acontecido. A mudança saiu de lá em pouquíssimo tempo!
Voltei lá, há poucos anos. A casa está lá sem modificação externa, mas não tem mais nenhum centímetro sem construção naquela rua.
De lá, fomos à Avenida 9 de Julho, mas isto já é outra história, que contarei um dia desses.
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