Amor paulistano

Não, não estava contente com minha pequena cidade. Sonhava alto, com cidade grande. Assim, aos 24 anos, apesar de ser concursada em uma companhia telefônica e estar iniciando meu tão sonhado trabalho de professora, deixei tudo para trás, peguei minha mala antiga, comprei minha passagem e fui para São Paulo.

Depois de uma longa noite de viagem, o ônibus parou e todos começaram a descer. Perguntei se havíamos chegado em São Paulo e alguém me disse que sim, estávamos na Estação da Luz. Eu, magérrima, e minha mala, de pergunta em pergunta chegamos à esquina da Rio Branco com a São João; e daí; daí que fiquei ali olhando e analisando como faria para atravessar naquele emaranhado de carros.

Consegui chegar na Rua Santa Efigênia e só então me dei conta de que não havia levado endereço de nada. Lembrei-me que uma amiga havia dito que um primo dela morava em São Paulo. Liguei pra ela e, abismada, sem acreditar que eu tinha feito tal coisa, perguntou-me em que rua eu estava. Não, eu não sabia. Fui até a esquina e descobri que era a Rua Santa Efigênia; voltei ao orelhão e disse a ela onde eu estava.

Enquanto o primo dela não chegava, eu e minha mala fomos até a companhia telefônica. Sob o olhar de todos me dirigi ao funcionário pedindo para preencher uma ficha; perguntou meu endereço e lhe informei os últimos acontecimentos, sem faltar uma vírgula. É claro que o funcionário me achou ridícula, mas disse-me que quando eu estivesse instalada e com endereço poderia voltar.

Assim fiz e lá trabalhei por alguns anos. A necessidade me fazia trabalhar em mais de um emprego e consegui trabalhar simultaneamente no Mappin da São João. Conheci Luis. Não o queria, mas ele era muito educado e me convenceu a namorá-lo. Mentira, ele não convenceu não, eu é que era ingênua e pela calma e educação daquele indivíduo. Eu era virgem, e saí da minha cidade decidida a "dá" pro primeiro que eu namorasse.

Quatro meses depois estávamos fazendo amor. Sete meses de namoro e eu estava grávida. Foi o momento mais feliz da minha vida, quando eu peguei o resultado com o resultado positivo. Pensei que Lu também estava feliz, pois quando íamos fazer amor ele falava que íamos fazer o Juninho.

Três meses depois Luis me falara que não estava preparado para ser pai. Vergonha, tristeza, desespero… emoções infinitas e indescritíveis tomaram conta de mim. Eu, mãe solteira? Eu pudica, moralista, a certinha para meus familiares e amigos? Saí do Mappin e dos colegas de "leva e trás". Nunca mais vi e/ou fiquei sabendo do Luis. Meu filho nasceu; lindo, amado, honrado e bem educado. Meu filho é PAULISTANO. Eu sou catarinense. O amor que sinto por meu filho é PAULISTANO. Meu filho se orgulha de ser PAULISTANO. Meu filho é meu primeiro, último e único amor. MEU AMOR É PAULISTANO. A M O R P A U L I S T A N O.

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