Memórias de um paulista

Meu nome é Nelson, nasci em São Paulo na Rua São Caetano (rua das noivas), sou de 1936 (73 anos), vi os pracinhas chegarem da guerra subindo a Avenida São João, vi Zepelim, o aparecimento do plástico e tantas invenções (novas para a época).

Nasci na Rua São Caetano, no número 596, passava bonde, não tínhamos geladeira e vinha a carroça da Antarctica trazer pedras de gelo, que eram armazenadas em uma geladeira de madeira revestida de folhas de zinco.

Eu, mocinho na época, saía à noite para ir ao cinema, apenas encostava a porta, e quando voltava havia um buraquinho na porta com um barbante, o qual eu puxava e uma tramelinha de madeira por dentro abria a porta. Bons tempos!!

Aprendi a nadar no rio Tietê, perto da ponte das Bandeiras (podia beber a água do rio).

No cinema passava 3D, usava-se máscara, que emoção, assisti O Manto Sagrado em cinemascope, até hoje fico arrepiado. Fui na inauguração do Ibirapuera, que espetáculo inesquecível.

Nosso rádio era um Rádio Galena, meu pai tinha um atelier fotográfico na Rua São Caetano e fazia anúncio com a minha foto (pequeno) na estação ferroviária, na Rua João Teodoro (já demolirão a estação, êta país sem memória).

Obs.: Não existia a palavra inflação, corrupção, drogas, e a palavra Ficar, era tudo mais decente, havia mais respeito entre as pessoas e dormíamos de janela aberta (que saudade). Que vai fazer, o Brasil mudou, o mundo mudou (para pior).

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