Os bons tempos da escola pública

Houve um tempo em que a escola pública era excelente. Boas professoras (es), um currículo forte, e no fim do ano tinha somente o exame final para se saber se passava ou não de ano. Tínhamos que estudar bastante para não esquecer em dezembro o que tínhamos aprendido em fevereiro e março. Tínhamos aulas de leitura, em que as professoras nos davam o texto e elas, com a cópia à mão, iam acompanhando a nossa leitura para dar a nota.<br><br>Era um tempo em que havia muito respeito dos alunos para com os mestres (as). Era também um tempo em que, para fim de casamento, tanto professores como professoras eram disputadíssimos. Os chamados bons partidos.<br><br>Era um período em que os pais logo de cara queriam saber, depois das intenções do rapaz, qual era a profissão. Torneiro mecânico? Concedo a mão da minha filha, sejam felizes! <br><br>Agora, quando era um professor, a resposta era imediata. Pode casar amanhã se quiser! Quando era o rapaz que dizia estar enamorado de uma professora, por ser ele um varão, apenas sorrisos de canto a canto da boca eram vistos.<br><br>Hoje, infelizmente, os professores não têm mais aquele status de antes, mas não por culpa deles, mas pelo descaso das autoridades, municipais, estaduais e federais. Sabe-se que, para os políticos, quanto mais burro for o cidadão brasileiro é muito bom para eles.<br><br>Penso que foi por isso que Ulisses Guimarães lutou tanto para que analfabetos tivessem o direito de votar. Afinal, analfabetos fazer parte da democracia, dizia ele. Será que em seu currículo parlamentar tinha algum projeto para dar ao povo mais cultura e, para os professores, melhor condição de dar ao aluno um ensino melhor e um salário condizente ao seu trabalho? Quem sabe os anais da câmara possam estar à resposta.<br><br>No meu tempo de escola, anos 1950, e até todos os anos da década de 60, as festinhas eram programadas na escola para que se realizasse na casa de algum aluno, ou então nas quermesses, ou palcos dos teatros, das igrejas. <br><br>Hoje a coisa é bem diferente. As aulas são suspensas para que haja a preparação dos shows de funk, hip hop e psy trance, a chamada música eletrônica. E, para tal, cada um paga R$ 10,00 na entrada para o show, e R$ 7,00 se comprar com antecipação, como mostra no dia de hoje (16/05/2009) o jornal O Estado de São Paulo.<br><br>Tal acontecimento estava sendo preparado como balada, denominada de "Descolada" pela rádio Metropolitana FM, e seria apresentada na Escola Estadual Padre Anchieta, no bairro do Brás. Porém foi cancelada depois que a reportagem foi feita pelo jornal. Ainda bem, pois lugar de shows é em outro lugar, e não em escolas.<br><br>Algum "fariseu" responsável pelo evento disse que foi uma pena que foi proibido o show. Pois a renda seria dividida para a terceirizada promotora do evento (70%) e para a Associação de Pais e Mestres da escola (30%). Tudo bem, mas por que não arrumaram outro local? Escola não é local para baladas ou deslocadas, e sim para estudar. E, além de tudo, os alunos ficaram sem aula para a arrumação da bagunça.<br><br>Mesmo assim já tinham sido vendidos mais de cem ingressos, e mesmo se sabendo que não haveria o show, as aulas daquele dia foram canceladas. <br><br>No dia 3 de abril, a tal descolada já tinha acontecido numa escola do bairro da Mooca, onde o governador Serra estudava nos anos 1950. A escola estadual Professor Antonio Firmino Proença, que foi depredada ontem (15/05/09) por alunos enraivecidos, porque a polícia prendeu dois baderneiros que estavam fora de sua hora de aula.<br><br>e-mail do autor: [email protected]