1954 – São Paulo fez 400 anos
Éramos recém casados, morávamos na Lapa e subimos uma Rua Pio XI interiorana para chegar até o matagal de onde se avistava o vale do Rio Pinheiros. E assim como festejamos o começo de uma nova vida, festejávamos o aniversário da cidade que era nossa.
Matagal alto cobria o morro virgem ainda. Marginais, nem sonhar. Apenas o Rio Pinheiros serpenteando pelo vale. Cidade Universitária, para além do rio, apenas com uns barracões pouco usados e pouco visíveis.
Colégio, para cá do rio, recém fundado, mas já referencia, catalisador de um bairro novo. Prédios de luxo, Construções, shopping, parque, talvez na idéia de algum visionário.
Todo esse vale foi escolhido para uma parte das comemorações do IV Centenário da cidade. Espetáculos pirotécnicos à noite e como encerramento uma chuva de prata: milhões e milhões de triângulos de alumínio, finíssimos, oferta das Indústrias Pignatari, fabricantes das pratas Wolff, despejados de aviões e iluminados por possantes holofotes. Pairando no ar pela leveza, permitiram que o espetáculo durasse o tempo suficiente para encantar os paulistanos.
Dos milhões da minha lembrança, ficou apenas um como testemunha dessa festa, guardado como uma preciosidade e referencia de um tempo feliz.
2006 -São Paulo faz 452 anos
Em vez do matagal, o Parque Pinheiros, arborizado, urbanizado, embelezado, lugar de lazer. Marginais, Cidade Universitária, prédios luxuosos, shoppings, Parque Vila Lobos. Um bairro residencial. Muito verde. No mesmo ponto em que há 52 anos festejava o aniversário da cidade e o inicio de minha nova vida, paro agora, sozinha, para resgatar um momento feliz, apenas com a saudade me acompanhando.