São Paulo Coração do Brasil

Existem dezenas, ou centenas, de músicas que cantam São Paulo. Aqui mesmo no site há um bom número delas. Meu propósito é o de relembrar algumas que me remetem à adolescência, mocidade e até mesmo a um passado recente e que tem algo a ver comigo.

Transcreverei alguns trechos tal como os aprendi, desculpem-me, portanto, os erros.

A primeira música de que me lembro e que fazia referência a São Paulo é a famosa São Paulo da Garoa, da dupla Alvarenga e Ranchinho e que transcrevo na íntegra:

Ê, Ê São Paulo!
Ê, Ê São Paulo!
São Paulo da garoa
São Paulo que terra boa!

São Paulo da noite fria
Ao cair da madrugada
As campinas verdejantes
Cobertas pela geada

São Paulo do céu anil
Da noite enluarada
Da linda manhã de sol
Ao raiar da madrugada.

A garoa, chuva miúda e fria, é um fenômeno que sempre se identificou com a cidade. Chuva incessante que não causa os transtornos da chuva torrencial, como os alagamentos e as enchentes, mas que traz tristeza, tédio e melancolia.

Por ocasião do IV Centenário, Sílvio Caldas gravou, de Bezerra de Menezes, a inspirada Perfil de São Paulo:

"São Paulo num só minuto
É o Braz, Tietê, Viadutos
Barracas de flores
E a multidão!”

Linda e com magnífica interpretação do "Caboclinho Querido".

Paulo Vanzolini, poeta e cientista, criou dois clássicos. Ronda, que fala da busca incessante da mulher pelo seu homem e que poderá acabar em "cena de sangue num bar da Avenida São João", e Praça Clóvis, gravada por Chico Buarque, narra uma cena comum naquele logradouro: "Na Praça Clóvis, minha carteira foi batida; levava vinte e cinco mangos e seu retrato…".

Adoniran Barbosa foi, sem dúvida, o grande "retratista" do cotidiano das ruas e bairros de São Paulo. Os dramas e as alegrias dos simples e dos humildes estão sempre presentes em sua obra.

Iracema, que morreu ao atravessar a Avenida São João na contramão; "como lembrança guardo apenas sua meia e seu retrato, Iracema eu perdi o seu retrato" é o lamento final.

Em Abrigo de Vagabundos, conta que "… lá no alto da Mooca, eu comprei um lindo lote, dez de frente, dez de fundos…" e não se esquece do Braz no Samba do Arnesto.

No Samba do Bixiga ele comparece para comer umas bracholas na casa do Nicola e o "pau comeu". “Nós fumos lá pra comer, não fumos lá pra brigar…".

O Jaçanã que o Brasil todo cantou está no Trem das Onze, em que o bom filho proclama "minha mãe não dorme enquanto eu não chegar…".

Isto é apenas uma amostra de Adoniran e, certamente, todos se lembrarão de tantas outras que aqui não foram incluídas.

A Rua Direita foi homenageada por um conjunto genuinamente carioca – Os Originais do Samba. Do lado direito da Rua Direita: "Olhando as vitrines coloridas eu a vi…".

Envolvente e gostoso de ouvir…

A Rua Augusta mereceu uma composição do gaúcho Hervê Cordovil e foi gravada pelo seu filho Ronnie Cord nos tempos da Jovem Guarda. "Entrei na Rua Augusta a 120 por hora…".

Vocês se lembram de Luar de Vila Sônia? Tratava-se de drama real de um prisioneiro. Pungente. Comoveu São Paulo.

Caetano Veloso, esse talentoso baiano, nos presenteou com a sofisticada Sampa, hoje um clássico e verdadeiro hino da cidade.

Para não me prolongar demais, deixei propositadamente para o final uma canção escrita por David Nasser e interpretada pelo Rei da Voz Francisco Alves. Ela dá bem a medida do que significa esta metrópole e traduz sua força, sua potência e sua pujança: São Paulo Coração do Brasil.

E estamos conversados!

Devo ter omitido muitas canções. Algumas por esquecimento, outras por ignorância mesmo. Não sou um especialista no assunto, mas apenas um brasileiro, como vocês, que gosta de cantarolar no banheiro. De preferência com a porta fechada. Abraços a todos.

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