Fotografias

Conto aqui como na minha infância meu pai registrava os momentos. Lembrando agora, caio em risos, pois a encenação era fantástica!

Nossa casa era grande: tinha jardim na frente, ao lado e nos fundos. Era a paisagem ideal para uma foto. Mas as poses!!! Os arranjos, o "cenário" que era montado!!! Nenhuma árvore da casa foi esquecida!

Na frente da casa, do lado esquerdo, um espinho-de-cristo descia como uma cortina para calçada (o muro era alto) – isto evitava que meliantes pudessem subir por ali. Era um dos cenários. O (a) "modelo" ficava no jardim a uma certa distância da planta e o retratista tinha que ir para o outro lado da rua para poder fotografar a casa e a pessoa. Depois de passados os caminhões e ônibus, a foto podia ser tirada. Do lado direito havia uma espirradeira que era companheira de um chapéu-de-couro e um cactus dama-da-noite (flor muito cheirosa!). A espirradeira fazia vezes de "poste", pois todos que ficavam ao lado dela se recostavam ou descansavam a mão como que a empurrando…

Na lateral direita da frente aos fundos, seguiam juntos pelo muro um pé de chuchu (que dá na cerca) e um pé de bucha vegetal (daquelas que se usa no banho). Foto tirada, os "acessórios" às vezes ficavam mais evidentes que a pessoa e, pelo formato dos mesmos, ficava estranho… Aquelas "coisas" penduradas atrás da cabeça…

Nos fundos, o jardim, na realidade, era um quaradouro – minha mãe usava a grama para estender e quarar a roupa branca, ela sempre dizia que as roupas precisam de sol para matar os "bichinhos"… Quando não havia roupa estendida, virava "estúdio". Meu pai colocava cadeiras e mesa para simular uma "reunião ao ar livre" e lá ficávamos feito estátua, olhando para a máquina esperando o click. Tirada a foto, o "estúdio" era desmontado e voltava tudo ao seu lugar…

Meu pai tirava fotos nossas (minha e de minha irmã) de pijama, no quintal, embaixo de um guarda-chuva (como se estivéssemos na praia).

Uniforme escolar era outro motivo para recordação. Carnaval não passava em branco: de fantasia, fazendo pose como se fôssemos porta-bandeira.

Ganhou brinquedo novo no Natal? Mais um click.

Quer tirar foto com o gatinho? Tudo bem…

A vizinha chegou para brincar? Mais uma foto…

Todas as ocasiões eram um motivo para meu pai preparar a máquina Kapsa – um caixote retangular de baquilite que usava filme 120 de papel – Agfa.

Mas não deixo de rir quando lembro das poses que a gente fazia… Era "chique no úrtimo"…

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