Encontro na Casa das Rosas

Nove de Janeiro de 2009 foi um dia lindíssimo, céu azul e sol, um dia típico de verão. Andando pela Paulista em direção ao Shopping, resolvi parar na Casa das Rosas, na qual nunca havia entrado. Já havia passado pelos seus portões fechados muitas vezes quando menina, indo para o Grupo Escolar Rodrigues Alves, mas naquele tempo a casa não era aberta ao público, mas um casarão sombrio e misterioso.

Desta vez entrei.

Jardim muito bem cuidado, chafariz, mesinhas à sombra das árvores, passei tudo isso e subi as escadas. Foi ali que encontrei Ingrid, a aeromoça da Swissair, meio perdida, como eu, e ainda pior do que eu, sem saber uma palavra de português.

Sem saber que era suíça, falei com ela na nossa língua, mas ela fez um gesto de não entender. Tentei inglês, o sorriso se abriu e pudemos conversar. Me ofereci para ajudá-la a ver a Casa das Rosas e para traduzir o que fosse possível, assim andamos pelas sacadas, imaginando as pessoas que ali moraram e a época a qual pertenciam. Procuramos fotografias, qualquer coisa que nos pudesse ajudar a ‘ver’ melhor, mas em vão. Não parece existir mais nada que tenha pertencido à família, nem fotos para que possamos saber quem foram. Apenas fomos informadas de que a Casa das Rosas foi dada de presente por um pai para uma filha na ocasião do seu casamento, tendo a filha morrido logo em seguida. Triste história.

Descendo para o jardim, resolvemos tomar um cafezinho e apresentei-a para a deliciosa musse de maracujá, a minha sobremesa favorita. Ali, entre o sol e a sombra do dia, falamos de São Paulo, dos restaurantes, do povo, da própria Paulista onde nos encontrávamos e dos nossos recantos favoritos. Era apenas a segunda vez que a aeromoça Ingrid parava em Sampa e deveria voltar ao frio da Suíça ainda aquela noite, mas ali, debruçada sobre seu cafezinho, levantando o rosto para o sol do meio-dia, ela me disse que gostaria de ficar. Ficar em São Paulo e ficar no Brasil. E que voltaria, com mais tempo. E eu, me sentindo segura com ainda mais um mês e meio para curtir isso tudo, saboreava a felicidade de poder andar na minha cidade sem pressa, podendo parar em toda banca de jornal, tomar todos os cafezinhos desejados e pedir muitas mais musses de maracujá.

Finalmente nos despedimos, trocando e-mails, prometendo nos encontrar novamente na Casa das Rosas. À noite, olhando os aviões, imaginando que a Ingrid estivesse também, já em seu uniforme, servindo os passageiros da Swissair, rumo à Europa, lhe mandei um adeus silencioso.

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