O primeiro canarinho a gente nunca esquece.
Muitas décadas já se foram, mas as lembranças de nosso canarinho ainda estão vivas em nossas memórias.
Seu nome era "Piu Piu". Era amarelinho que nem as cores da bandeira do nosso Brasil. Lépido e elegante e, ao nos ver, saltitava de um poleiro para o outro, como que nos cumprimentando em sua bela gaiola toda feita de bambu ao estilo oriental.
Foi uma paixão à primeira vista. Meu irmão e eu, ainda menininhos na década de 50, quando em uma manhã de primavera, no bairro em que morávamos, Brooklin/Banespa, estávamos acompanhando nossa mãe a fazer compras na feira de nosso bairro quando meu irmão exclamou:
– Cideme (eu), venha ver, olhe que bonito, vou pedir para a mãe o comprar, você gostou dele?
– Gostei! Que legal.
Quem o estava vendendo era já um senhor, de cabelos grisalhos e com um ar bondoso, de origem japonesa.
Meu irmão, como sempre, espertinho, foi logo se enchendo de promessinhas junto à nossa mãe, dizendo:
– Mãe, compra que eu prometo estudar, não bater nos meus amigos e nem no Cideme (eu) e ser bem educado, juro mãe… juro…
E assim retornamos todos alegres à nossa casa. Meu pai também gostou.
Só que ele não cantava, só fazia "piu, piu". Aí nos falaram que era canarinho fêmea, e como tal não cantava. Mas não nos importávamos, gostávamos dele ou dela assim mesmo.
O tempo foi passando… e junto com ele fomos crescendo…
Nós o tratávamos com alpiste, gema de ovo cozido e folhinhas de alface e todos os nossos amigos também gostavam dele.
Ele dormia em uma salinha aconchegante que tínhamos no fundo de nossa casa, e de dia o colocávamos na varanda do quintal.
Aí aconteceu!!!
Uma bela manhã acordamos e deparamos com a gaiola no chão e penas para todo o lado, e onde estava o nosso canarinho? O cachorro que tínhamos havia permanecido preso em sua casinha, que motivos não sei, também esquecemos de soltá-lo como fazíamos todas as noites e de guardar o canarinho dentro de casa.
Triste realidade, um gato, creio que de nosso vizinho, o transformara em almoço.
Foi aquela choradeira… E o tempo passou… Certo dia, eis que o enorme gato preto do vizinho aparece morto, como que se jogado fora no quintal do mesmo.
Parecia que tinha sido atingido por estilingadas na cabeça e o vizinho comentou com o meu pai: – Você viu que malvadeza, mataram o meu gato!
Meu irmão me olhou e eu olhei para ele, não foi preciso dizer mais nada…
A saudade do nosso canarinho ficou para sempre…
e-mail do autor: [email protected]