Fato acontecido nos idos de 68 em pleno bairro da Aclimação.
Tia Lucinda, cunhada de minha mãe. Mulher bonita, vaidosa. Sempre bem penteada, maquilada. Vestia-se nos melhores ateliês de costureiros como Denner, Madame Boriska etc.
Ela era a madrinha preferida e sempre auto-oferecida em todos os casamentos da família. Não tinha filhos, mas era a protetora de todos os sobrinhos. Por não ter preocupações, pois meu tio era rico, levava uma vida de verdadeira madame. Tinha sempre cozinheira, copeira e arrumadeira. Portanto sem preocupações. Passava o dia em cabeleireiros ou chás beneficentes.
Sua casa era um verdadeiro primor, muito bem construída, decorada, um orgulho daquelas de sair em revistas de decoração. Logo no hall de entrada, duas enormes salas (a de visitas e a de jantar) eram divididas por uma porta de cristal daquelas de correr. No mesmo hall havia também uma daquelas escadas cinematográficas. Era linda, em espiral, ladeada por duas grades de ferro decorado, com corrimãos de latão, que estavam sempre tinindo de brilho.
Um belo dia, minha tia mandou trazer do norte de Minas (sopé da Bahia) uma arrumadeira nova, menina recatada, tímida, de pouca… digamos, de nenhuma cultura. Ô mulherzinha burra, coitada!
No dia seguinte às primeiras instruções para a limpeza da casa, lá veio a infeliz se queixar com minha tia, explicando que não daria para limpar os corrimãos da escada do jeito que minha tia pedira. Tia Lucinda, pacientemente, falou que então ela não passasse o "Brasso" (o polidor de metais) e o pano de lã todo dia. Alternasse, um dia passasse o "Brasso" e no outro o pano de lã. No que ela respondeu: "Vai dar não, Dona Lucindia!".
Minha tia então perguntou: "Por que Não?".
Ela, esticando os braços para a patroa, exibiu os dois enormes vergões, um em cada antebraço. Eram da largura dos corrimãos. Vergões esses que havia adquirido ao esfregar os membros superiores diretamente no metal para efetuar a limpeza.
Minha tia não sabia se ria ou chorava do acontecido.
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