Nascemos em Pongaí – SP, e de lá viemos.
Meninos em tenra idade ainda, fizemos as primeiras amizades paulistanas aqui onde viemos morar, Brooklin/Banespa.
As amizades se tornaram profundas e muitas perduram até hoje.
Todos tinham pais e avôs. Não, nem todos!
Ouvíamos com deleite as histórias que contavam: – Ito e Cideme, meu avô vai me levar para pescar, ele fica falando das pescarias de quando era moço; outro: – Meu avô vem almoçar domingo em casa e sempre me traz um presente e fica brincando comigo o dia inteiro e contando histórias; puxa, como gosto dele. Ele é muito alegre e bonzinho e não deixa minha mãe me bater e fica bravo com o meu pai também e deixa fazer tudo que quero.
– E vocês, como são os seus avôs? Eles são legais também?
Creio que abaixamos os olhos, meio constrangidos e até nos sentindo "diferentes" de nossos amigos, que, percebendo, olhavam-nos com olhares indagativos e curiosos.
– Nós não temos avôs, eles foram para o céu quando nascemos…
O silêncio foi total e nada mais perguntaram.
Crescemos sem os carinhos e afetos de avôs. Nossos pais não supriam as condescendências que só os avôs dão.
Passamos nossa infância ouvindo nossos amiguinhos sempre falando dos avôs.
Talvez tenha até sido bom, pois hoje sabemos o que devemos "fazer" para nossos netos, pode ser que os mimemos demais e nossos filhos nos censurem, mas…
Creio ter sido esta a nossa maior tristeza de infância.
Vovôs, aonde quer que estejam, nós os tivemos sempre em pensamentos e gostamos muito dos dois, pois seus filhos, nossos pais, sempre falaram de vocês.
Queridos vovôs, não os tivemos fisicamente, mas sempre dentro de nossos corações.
Lágrimas de saudades…
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