O Rio Pinheiros nasce na Zona Sul da cidade, distante 15 km do marco zero que é a Praça da Sé e vai até a Zona Oeste, encontrar-se com o Rio Tietê que segue para interior, oeste do Estado. Seu nome se deve à grande quantidade de araucária ou pinheiro do Paraná, nome dado pelos indígenas que habitavam sua margem onde hoje é o bairro de Pinheiros em 1560.
– Formação do Rio Pinheiros
Rio Pinheiros é formado pelos Rio Grande, com origem na Billings, e Guarapiranga, tem origem na represa de mesmo nome, também tortuosos, até os anos de 1940, quando foram retificados, ambos se encontram no bairro do Socorro, onde forma o Rio Pinheiros. Nesse encontro há a Indústria Farmacêutica Bayer como marco desse encontro, e vai desaguar no Tietê na Vila Leopoldina e Jaguaré. Ali também se encontram as marginais Tietê e Pinheiros no complexo de viadutos e da eclusa para futura navegação. O rio também foi conhecido na época do Pe. Anchieta até os tempos de colônia como Jurubatuba, Jeribatiba, local de muitas palmeiras.
Além de um símbolo da cidade de São Paulo, como todo rio é fonte de energia, dele veio a vida, dele retiramos nosso alimento, dele regamos as hortas e damos de beber aos animais e a nós mesmos e assim mesmo é nele que jogamos o lixo, o resto de nossos pertences, descontamos nele toda nossa ira, nosso desprezo, nossa falta de educação ambiental, tudo de ruim vai para ele, depois queremos que a água seja inodora, insípida e incolor, isso serve para todos os rios, mas aqui falaremos especificamente do Pinheiros
A Represa Guarapiranga e Billings que alimentam o rio, nos anos 1988, na gestão de uma prefeita, houve a maior invasão dos mananciais, margens e encostas das duas represas da zona Sul, com os sem teto, sem terra, sem vergonha, sem nada, sem moral e sem mais alguma coisa, as áreas invadidas formaram verdadeiros bairros, agravando mais o problema da poluição do rio e das represas, e em pouco tempo os barracos viraram sobrados, chegou o asfalto, a energia elétrica legal e ilegal, gambiarras, telefone; isso também aconteceu nos rios e seus afluentes e depois vem enchentes e se perde tudo e voltam a construir. O correto seria construir casas populares em regiões decentes e seguras e cadastrar as pessoas, pois o que acontece quando se faz uma casa popular, CDHU, Cingapura, Mutirão, Promorar, o beneficiado chama o outro parente para o seu lugar naquele barraco e assim sucessivamente, por isso as favelas nunca acabam.
A Represa Guarapiranga, que é formada de vários rios da região de M'Boi Mirim, Itapecerica da Serra e Embu Guaçu, e formando um único canal sinuoso até os anos de 1940, o Rio Pinheiros, com cerca de 45,0 km de extensão com a sinuosidade, que tinha aproximadamente 100,0 metros de largura de sinuosidade, era uma serpentina, depois de retificado ficou com aproximadamente 24 km de extensão e uma largura média de 20,0 metros, por isso as inundações em época de chuvas, inundação não, o rio apenas ocupa as margens que lhe pertencem, todos os rios possuem vários leitos, o central sempre com água e depois o escalonamento das margens, conforme as chuvas da primavera – verão o rio ocupa o que é seu. Assim como o Rio Nilo, no Egito, que era uma dádiva de Deus, principalmente quando ele transbordava, umedecendo e fertilizando o solo ribeirinho, proporcionando uma agricultura abundante, assim como o Danúbio corta a Europa com toda sua opulência e beleza, assim como o Tamisa, em Londres, recuperado agora, todo garboso, banha a cidade, e muitos outros pelo mundo que são respeitados e embelezam suas paisagens urbanas e rurais. Assim devia ser o Rio Pinheiros, o Tietê, o Tamanduateí, que todos maltratam e esquecem.
– Bairros ribeirinhos
Com a retificação do Rio Pinheiros, e a vinda do parque industrial ribeirinho, também vieram os bairros ribeirinhos a ele, onde o mais antigo é Santo Amaro – 1552? Desde o descobrimento do Brasil, onde aqui na Zona Sul (creio que somos mais sudoeste) tudo era Santo Amaro, que até 1935 era Município de São Paulo e fazia divisa com Taboão da Serra, Itapecerica da Serra, Embu, São Paulo e Itanhaém e outros, depois tudo foi dividido em regionais nos anos 1970 e sub prefeituras nos anos 1990, transformando Santo Amaro num distrito igual aos outros em território.
Desde a Represa de Guarapiranga e Billings temos os seguintes bairros ribeirinhos em ordem: Pedreira, Cidade Dutra, Vila Califórnia, Jurubatuba, Jd. Marabá, Jd. Promissão, Socorro, Interlagos, Jd. Dom Bosco, Santo Amaro, Jd. Monte Azul, Jd. Nagib Salem, Vila Mandu, Penhinha, Vila Almeida, Jd. Santo Antonio, Jd. Fonte do Morumbi, Jd. São Luiz – 1938, Jd. Ibirapuera, Vila das Belezas – 1924, Vila Andrade, Morumbi, Jd. Altos do Panamby, Jd. Cruzeiro, Granja Julieta, Várzea de Baixo, Chácara Santo Antonio, Itaim Bibi – 1934, Vila Olímpia, Jd. Edith, Vila Funchal, Brooklin – 1934, Cidade Monções, Vila Cordeiro, Cidade Jardim, Jd. Paulistano, Jd. Europa, Pinheiros, Butantã, Vila Leopoldina e Jaguaré.
– Empresas ribeirinhas
Rio Pinheiros, desde a Represa Guarapiranga até o rio Tietê, é visto e banha diversos segmentos sociais e industriais, senão vejamos, a partir do Socorro ele é cercado por indústrias (cerca de trezentas empresas), e (quinhentas mil famílias), shoppings, parques, clubes e até lixões oficiais, como o aterro sanitário Santo Amaro em Interlagos, atualmente desativado. Até a Ponte do Morumbi, as seguintes empresas sujam ou sujaram esse rio, são: Usina Térmica Piratininga, que fica no bairro da Pedreira, junto da Barranca da Represa Billings e da Usina Elevatória Pedreira, que além de outras coisas usam a água do Rio Pinheiros para resfriar o vapor saturado das turbinas, que com isso voltam ao estado líquido para o sistema da usina, depois essa água de resfriamento volta ao rio bem quente e cheirando mais ainda.
Em seguida vem, *Telefunken, uma das primeiras empresas fabricante de televisor; *Willares; **Atlas; Eurofarma; Bio Sintética; Caterpillar, mudou para Piracicaba, hoje Shopping SP Market; MWM, **Pirelli; Caloi, mudou para Atibaia; **Sintaryc; **Vedat, mudou para o Taboão da Serra; Avon; Bayer, Fag; Brasimet; Brassinter; Sandvick Metais; **Resmat, hoje depósito da Ikesaki; **Van Leer; *Mangotex; *Engesa; Atlas Copco, mudou parta o mesmo bairro, Socorro e no local veio a M Cassab; Greiff, empresa nova; *Q-Refresco; Met. Darma; Copenag. Armazéns Gerais; Toalheiro Brasil; Metalúrgica Prada; *Hartmann Braunn; Amortex, mudou para bairro Campo Grande; *Met. Erval, depois **Fornos Pyro; *Metal Leve **(Mahle), mudou para Indaiatuba; *Lepetite; Rolamentos Ina, mudou para Sorocaba; Plásticos *Plavinil; *Fieltex Texteis; *Piraespuma, colchões; *Hoover, americana – 1958-1970, depois Pial mudou para Guarulhos em 2005, hoje depósito de móveis "Guarde Aqui"; *Taurus, fábrica de revólver até 2000, hoje Tivit; na Ponte João Dias, temos, Centro Empresarial de São Paulo – 1974, uma cidade de negócios. Logo em seguida vem outras indústrias, Semp Toshiba, mudou para Cajamar; *Fundição de Alumínio Bera; Giroflex, mudou para Taboão da Serra; **Micronal; *Ind. Móveis Paullus, La Fonte; *CD Prestolite; *Requipe; *Wapsa; *Macotec; *Forin; Carrefour, Monark, mudando; Telemecanique; **Alfa Laval; Kibon; na Ponte do Jaguaré tem a indústria de cimento e Carrefour. Todas essas empresas são as mais conhecidas e as mais ribeirinhas e próximas às marginais do Rio Pinheiros, onde havia essas empresas, a maioria se encontra abandonada, outra viraram agência de carro, igrejas e outras prédios de apartamentos.
* empresa que não existe mais – ** empresas que mudaram
– Hotéis e casas de show, teatro e museus ribeirinhos
Com a desativação das indústrias e campos de futebol nas margens do Rio Pinheiros, começaram a ser construídos novos tipos de segmentos sociais nunca visto deste lado da cidade e do Rio Pinheiros até os anos de 1990, como: na Ponte João Dias temos Credicard Hall, Tom Brasil, Museu Cetrasa, Centro de Tradições de Santo Amaro; na Ponte Transamérica temos o Teatro Alfa, Hotel Transamérica, Hotel dos pilotos de fórmula 1, Centro de Exposição Transamérica; na Ponte do Morumbi, dois grandes shoppings, Morumbi e São Paulo Market Place e Hotel Íbis e Shopping D&D, WTC; e muitos hipermercados; modernos prédios de multinacionais, na Ponte do Jaguaré temos o Shopping Villa-Lobos e o Parque de mesmo nome.
– Futebol varzeano ribeirinhos
Não podemos esquecer dos campos de futebol e os times que compuseram as margens do Rio Pinheiros, que inclusive o nome de várzea vem da área próxima do rio, geralmente plana, própria para a prática de esportes e de solo macio, era só demarcar por as traves e estava pronto o campo varzeano. E quantos campos não surgiram nesse tempo desde 1920 até os anos de 1960, quando houve a ocupação por indústrias e marginais.
E quantos times bons nas margens do Rio Pinheiros nesses sessenta anos no mínimo de vida, citemos alguns.
Na região da Avenida Nações Unidas, (marginais), no bairro do Campo Grande, temos até hoje os bons times do Grêmio Campo Grande, Estrela do Campo Grande, União, Bola Preta, Próximo da Ponte João Dias: *Formoso F.C.; *Benfica FC, *Continental F.C.; Estrela do Norte F.C. – 1953; A.A. Portuguesa da Vila das Belezas-1953; E.C. Jd. São Luiz-1961; Vila das Belezas F.C. – 1943. Onde é o Terminal de ônibus Santo Amaro e Metrô, tinha o *Palmeirinha, *Flamenguinho; *GUSA, *CASA Clube Atlético Santo Amaro.
Na Ponte do Socorro, *De Pinedo; *Socorro F.C.; *Piraporinha, da camisa grená; na Ponte Cidade Jardim, atual Roberto Zucollo, havia, até o ano 2000, uma concentração de campos de futebol onde jogavam os seguintes times ribeirinhos donos dos campos: *Canto do Mel, *(Clube do Me), Mocidade do Sumaré, Canto do Rio F.C-1941; Marítimos F.C – 1928; Grêmio Esportivo União da *V. Olímpia – 1957, *Grêmio Itororó F.C. – 1948; *Flor do Itaim – 1922, *Marechal – 1935, quando Santo Amaro deixou de ser município e os que jogavam lá: *Cruz Vermelha, *América do Itaim, *Flamengo, *Elca, *Mirim Brasil, *A.A. Brooklin Paulista – 1922; *Clube Couto de Magalhães; *Juventus, *Esplanada, *Texas; não menciono times de empresas, que eram muitas e com times fortes, (*) infelizmente a maioria não existe mais ou só possuem a sede social ou ainda pouca atividade, mas fica na lembrança dos antigos e revelados ao jovem que estes clubes foram os precursores da várzea paulistana da Zona Sul (Sudoeste) e Oeste, como dizia o locutor esportivo Fiori Gigliotti, ficaram incrustado no nosso cantinho da saudade, e hoje podemos dizer que nós do outro lado do Rio Pinheiros somos netos e bisnetos, futebolisticamente falando, em relação dos times antes do rio e assim por diante, até o fundão da zona Sul e Oeste.
O Clube do Mé foi desapropriado por ocupação e exploração ilegal e esses times deixaram de existir na sua maioria, e o local tornou-se um lindo parque, Parque do Povo. Na Ponte Eusébio Matoso tinha um campo onde hoje é o Shopping Eldorado, não sei quem era o time dono e quem jogava ali e assim devia ter na Ponte da Cidade Universitária e Ponte do Jaguaré, locais distantes para nós da Zona Sul. Isso sem contar com os times bons das indústrias que se localizaram nas margens do Rio Pinheiros e que conservaram alguns campos por algum tempo.
– As pontes que atravessam o Rio Pinheiros
O Rio Pinheiros, através dos anos, com a expansão da Zona Sul e Oeste e a necessidade de ultrapassá-lo, foram construídos diversas pontes, inicialmente em madeira, como por exemplo a da Ponte João Dias, e depois substituída por pontes de concreto com aqueles arcos característicos da engenharia dos anos 1930 até 1950, que quando éramos jovens subíamos nesse arco para atravessá-la por cima. Hoje vemos essas pontes com arcos acanhadas e humilhadas pelas pontes modernas que foram sobrepostas às antigas devido à nova grande expansão da Zona Sul e Oeste dos anos 1970 chamado periferia e ou fundão.
Assim temos, em ordem, desde a represa Guarapiranga e Billings, as seguintes pontes: Ponte Vitorino Goulart da Silva, a mais nova ponte sobre o Rio Pinheiros no bairro de Interlagos – Pedreira com acesso ao Autódromo, depois vem a Ponte de Jurubatuba/Interlagos também em Interlagos, Ponte do Socorro (Santos Dias, em homenagem ao operário morto numa das greves no bairro do Socorro nos anos 1980) e Ponte Guarapiranga, essas duas últimas ligam Santo Amaro à região do Distrito de Jardim Ângela. Depois ponte da linha do Metrô em Santo Amaro, que liga Largo 13 de Maio ao Capão Redondo, Ponte Transamérica que une a marginal esquerda à margem direita do Pinheiros, Ponte João Dias que liga Santo Amaro a Campo Limpo, Capão Redondo e Itapecirica da Serra, Ponte Morumbi que liga o Brooklin ao Morumbi, Ponte Estaiada (Jornalista Octávio Frias de Oliveira), a mais moderna e bonita ponte, cartão postal de São Paulo, ligará a Imigrantes ao Morumbi e marginais, Ponte Ary Torres, liga a marginal esquerda a Avenida Bandeirantes / Imigrantes; Ponte Cidade Jardim (Roberto Zucollo), que une os bairros dos Jardins ao Morumbi, Ponte Eusébio Matoso, liga Pinheiros a Avenida Francisco Morato, que vai até o inicio da BR-116 (Regis Bittencourt, Sul do país), Ponte Cidade Universitária, une a zona oeste ainda em Pinheiros até a Rodovia Raposo Tavares, a única estrada que não chega direto na marginais desse lado da cidade, Ponte do Jaguaré junta a zona oeste, Vila Leopoldina e Alto da Lapa ao Município de Osasco.
– Usinas do Rio Pinheiros.
No Rio Pinheiros foram construídas duas usinas elevatórias, Traição, do lado do viaduto Ari Torres e da Pedreira, na barranca da Represa Billings, no bairro da Pedreira, ao lado da Usina Térmica Piratininga. Essas elevatórias fazem com que o curso d'água seja alterado conforme necessidades e interesses. Aqui no Morumbi, a traição se incumbe de mudar o curso do Rio Pinheiros, levando água para a Represa Billings. Lá na barranca da Represa Billings, na Usina Térmica Piratininga, há outra elevatória (Pedreira), muitos a chamam de "comportão" pelo seu tamanho, que eleva a água do Rio para Represa cerca de 25,0 metros de altura e deságua na Represa Billings. Em época de seca na Billings é feito essa manobra para aumentar o nível da represa e enviar água para a Usina Hidroelétrica Henry Borden, em Cubatão, no pé da Serra do Mar, que já foi a nossa principal usina geradora de energia elétrica.
Quando foi feito o represamento das águas dos rios formando a Represa Guarapiranga, no início visava também alimentar o Rio Tietê pelo Pinheiros em caso de estiagem na bacia do Tietê, abriam-se as comportas e essas águas iam até a Usina de Parnaíba, no rio Tietê, para acionar essa usina, que foi a primeira a ser construída no país pela Light.
A elevatória de Pedreira, ao jogar água para cima e desaguar na Represa Billings, gera uma certa quantidade de energia elétrica que torna esse trabalho de consumo elétrico autossuficiente em energia. Quando descemos a serra do mar ou estamos na praia, podemos avistar a tubulação de descida dessa água. No trecho do rio que compreende a Billings, o rio tem duas estações de tratamento dessas águas poluídas, quer dizer tratamento de resíduos maiores como pneus, carcaças, paus, animais mortos e outros, para que esse material não chegue na usina elevatória e prejudique os componentes dos rotores.
Com a poluição cada vez maior, associações ligadas ao meio ambiente intervieram e entraram com recursos junto ao ministério público e um acordo com o governo, paralisaram esse processo de sujar a água da Represa Billings, então ela teve seu caminho de volta ao Tietê, porém muito lento, pois não há correnteza advindo de uma nascente, somente algum escape de água pela comportinha e o resto é esgoto da cidade e de seus afluentes. Com isso houve e há outros problemas, pois o Rio Pinheiros é um controlador de enchentes, em certas ocasiões quando chove muito na cabeceira do Tietê na zona leste, para aliviar aqui em baixo as bombas eram ligadas e jogavam a água para a Represa Billings, e ao contrário, quando chovia muito na cabeceira da Billings e Guarapiranga as comportas eram abertas e as águas desciam até o Rio Tietê. A comporta da Guarapiranga é conhecida como "comportinha", pelo tamanho pequeno.
Depois que foi proibido bombear água na Represa Billings não existe mais essa atividade, e as enchentes aumentaram em São Paulo, porém com o aumento da calha do Rio Tietê em 2006 as enchentes estão controladas nele, apesar de que ainda é assoreado pela sujeira que vem dos rios das cidades próximas a São Paulo e seus afluentes.
Um caso jocoso aconteceu nos de 1975-76, quando houve uma grande precipitação pluviométrica nessa época na região da Guarapiranga, onde o nível da represa subiu muito a ponto de o Exército colocar sacos de areia na beira da represa do lado da Avenida João de Barros com Avenida De Pinedo, onde há o dique de contenção e prevenção, pois havia a ameaça de estourar, com isso os moradores do bairro do Socorro ficaram com medo e muitos mudaram, muitos diziam em tom de piada que, se a represa estourasse, o galo imponente de bronze, que fica no pico da torre da igreja matriz de Santo Amaro do Largo 13 de Maio, que tem uma altura de 20,0 metros aproximadamente, iria beber água sem baixar o bico.
A represa de Guarapiranga, desde a sua criação na década de 1900 até hoje, está tendo cada vez mais importância, desde o paisagismo, lazer, e fornecimento de água para São Paulo, é a nossa caixa d'água atual, ela também revelou grandes esportistas da vela como no iatismo, também foi e ainda é área de lazer nas suas diversas prainhas e por isso também causou e causa muitas de mortes por pessoas incautas à procura de lazer sem saber nadar.
– Saneamento do rio
Para melhorar a imagem do Rio Pinheiros, foi construído em um dos lados, margem esquerda, um coletor de esgoto de diâmetro de uns 3,0m, desde a Ponte João Dias até o Rio Tietê. Deve ir até a estação de tratamento de esgoto de Barueri, não sei se está funcionando, mas o rio continua negro e mal cheiroso. Também está em estudo a flotação das sujeiras do rio como é feita no lago do Ibirapuera.
– Perseguição ao rio.
Para piorar e tentar matar de uma vez o Rio Pinheiros, na campanha eleitoral de 2008, para câmara municipal, um certo candidato a vereador sugeriu a construção de uma avenida em cima do Rio Pinheiros, o chamado lajão, como fizeram em parte do Tamanduatei, por isso, também que perdeu as eleições; seria a decretação da falência do rio, e assinando um atestado de ignorância e desrespeito à natureza, concretizando oficialmente um esgoto oficial da cidade São Paulo.
– A fauna e flora do rio
Por iniciativa do governo nos anos 2000 e apoiado por muitas empresas à margem esquerda do Rio Pinheiros, entre as pontes Transamérica e Cidade Jardim, implantaram um verdadeiro jardim, onde há grandes variedades de flora e um pouco da fauna, que pode ser visitado com entrada próximo a Ponte João Dias.
Esse jardim esconde a feiúra do rio com sua beleza. Do lado do Morumbi, próximo a Ponte João Dias, implantaram nos ano 1990 um belo parque de iniciativa público privada chamado Burle Marx, que possui uma pequena amostra do que restou da Mata Atlântica, com lagos e pistas para caminhada, com muita segurança, bela flora e alguns animais como saguis e muitos pássaros. Vale salientar que este local guarda um jardim projetado por Burle Marx, local esse que seria a mansão do playboy empresário investidor Baby Pignatary.
– Rio e sua história
O Rio Pinheiros é histórico. Na sua margem esquerda, ainda tortuoso, foi construída a primeira usina de ferro das Américas nos anos de 1607. Por 25 anos produziu-se no engenho de ferro enxadas, picaretas, facões, bigornas, pregos, foices, perto da Ponte João Dias, onde também é conhecido como Morro da Barra, e ao lado outro morro, chamado Morro do Schimidt, onde desde 1973 foi construído ali o Centro Empresarial de São Paulo. Nesses locais o Bandeirante Paes Leme e o sertanista Afonso Sardinha e o Pe. Manoel da Nóbrega tinham terras na sua margem. Depois, indo para a região de Sorocaba, em Ipanema, onde hoje é considerada a primeira usina de ferro. Ele foi testemunha da chegada dos portugueses a São Paulo que navegaram por ele até o Tietê, nele muitos pescaram, nadaram.
Em sua margem direita, depois de retificado, construíram uma linha de trem que ia até a baixada santista. O trem percorria toda sua margem, tinha duas paradas aqui na nossa região, uma na Ponte João Dias e uma na Ponte do Socorro. A descida para o litoral na Serra era feita por cabos. Hoje em sua margem direita corre um trem moderno de passageiro, ligando Osasco até o bairro de Interlagos.
Ele foi retificado pela empresa canadense São Paulo Light And Company Ltd, em 1940, foi a que também construiu a Represa de Guarapiranga na década de 1900, num contrato com o governo brasileiro de setenta anos, com direito de uso do solo e das águas e uma grande parte das áreas ao entorno desses mananciais, com grande desapropriação na época dos proprietários de terras ribeirinhos e não ribeirinhos com pagamento, como até hoje nada justo.
Já como do Grupo Brascan, Brasil-Canadá, também construiu a Usina Térmica Piratininga, no bairro de Pedreira, em 1954, a maior até os anos 1980 e todas as usinas elevatórias e estações de distribuição de energia elétrica de São Paulo na época. A Usina Térmica Piratininga, até os anos de 2000, usava para queimar na fornalha um óleo derivado do petróleo, Fuel-oil, de origem nacional, chamado também de óleo baiano. Esse óleo vinha dos poços da Bahia, por isso esse nome, vinha por oleoduto até Santos na Refinaria Arthur Bernardes e daí por caminhão tanque até a Usina Térmica Piratininga, até os anos de 1975, após isso construíram um oleoduto direto para a usina, que para usá-lo tinha de ser aquecido até se tornar líquido, pois até 40ºC, ainda estava solidificado. A partir dos anos 2000, devido ao custo e a poluição, foi substituído por gás boliviano.
– Rio Pinheiros dos contrastes
Entre as Pontes João Dias e Cidade Jardim (Roberto Zuccolo), margem direita, temos os prédios mais modernos do Brasil, assim como uma nova Paulista, Avenida Luiz Carlos Berrini, novo Centro Comercial e Hoteleiro de São Paulo, a loja de modas mais cara do Brasil, Daslu, na sequência bairros de classe A como Cidade Jardim, Jd. Paulistano, Jd. Europa, e do lado oposto, nesse mesmo intervalo, temos o Morumbi, bairro mais novo e também símbolo do capitalismo, onde se reúnem as maiores riquezas do Brasil e também o mais moderno e caro shopping, Cidade Jardim, dentro de um complexo de prédios de apartamentos e comerciais, bem na curva da Traição. Ao mesmo tempo, a maior pobreza, nesse espaço temos as favelas Paraisópolis, uma das maiores do Brasil, e a seu lado a favela do Real Parque e depois a do Jd. Santo Antonio, Jd. Monte Azul, na Ponte João Dias, e mais distante a favela do Jaguaré; todos têm em comum só uma coisa: a vista do poluído Rio Pinheiros.
– Futuro da Represa do Guarapiranga
Quanto a Represa Guarapiranga, atualmente, em muitos debates quanto a sua revitalização, estão iniciando com derrubada dos muros da represa na altura das Avenida Robert Kennedy (que deverá a voltar a se chamar Avenida Atlântica) e Avenida João Ribeiro de Barros, onde será construída uma praia, a praia do sol; para isso estão desapropriando os imóveis à beira da represa e a ocupação comercial ilegal à margem da Avenida Robert Kennedy, voltando assim ter o mesmo aspecto do passado não tão longe.
Também está no Plano Diretor futurista a desocupação dos invasores e/ou revitalização da área invadida por canalização e tratamento do esgoto produzido pelos moradores, pois a água, a cada década que passa, vai se tornado artigo de luxo, e quem sabe de segurança nacional, pois em cem anos de vida o que inicialmente foi feito apenas para abastecer a Represa Billings e alimentar a Usina Henry Borden em Cubatão hoje é a nossa caixa d'água. A crise é tão séria que em três meses de estiagem a preocupação e apelo do governo faz se sentir para economizar esse líquido a ponto de, na mais recente estiagem de 2003, ser feita uma interligação da represa Billings para a Represa Guarapiranga. Isto prova que as necessidades crescem em progressão geométrica e as soluções em progressão aritmética.
– Clubes da Guarapiranga
Indiano, Yatch Club. Clube de Campo São Paulo de Golf, Clube de Campo Palmeiras, e vários clubes de empresas e bancos, assim como centros religiosos.
– Bairros que vieram após a construção da Guarapiranga
Os primeiros bairros que foram construídos e que possuem nomes sugestivos e também bonitos a ela como Veleiros, Interlagos, Rio Bonito, Rivieira Paulista, hoje centenas de bairros proliferaram ao seu redor.
– Clubes ribeirinhos
Ao longo do Rio Pinheiros tem diversos clubes: próximo a Ponte do Socorro, São Paulo Golf Club, tradicional e único na modalidade na região, ACM; em Santo Amaro temos a Hípica Paulista, em Pinheiros tem os antigos e tradicionais Pinheiros, Clube Alto de Pinheiros, Clube Hebraica, Paulistano, do lado oposto, Jockey Clube, e podemos considerar também a raia olímpica da USP.
Enfim, posto isso, vem a lição, quem não conhece a história tende a repeti-la, não podemos esquecer que sem os rios os mares não existiriam.
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