Houve tempo, acreditem, em que a assistência médica em São Paulo era extremamente precária. Apenas alguns serviços públicos, como o Hospital de Clínicas ou a Santa Casa de Misericórdia, ofereciam amparo de boa qualidade aos menos privilegiados. Em virtude disso, numerosas clínicas populares, laboratórios, serviços de raio-x e abreugrafia proliferavam nas proximidades das estações Júlio Prestes e da Luz, bem como das estações rodoviárias.
Verdadeiras "arapucas", com algumas exceções, patrocinavam programas de rádio, sobretudo os programas caipiras da madrugada, e conseguiam atrair milhares de pessoas. Diariamente desembarcavam em São Paulo centenas de pacientes vindos do interior em busca de curas miraculosas. Os "recepcionistas", postados em lugares estratégicos das "estações", com folhetos e muita conversa, acabavam convencendo os ingênuos e incautos, levando-os para essas clinicas.
Parente nosso, homem simples do interior, veio a São Paulo para consulta no HC, mas acabou não resistindo ao assédio dos "paqueiros" e acabou indo para um desses estabelecimentos na Avenida Duque de Caxias, onde foi "depenado", para tristeza de meu pai.
Hoje existem hospitais que oferecem medicina de ponta – Hospital Sírio-Libanês ou Albert Einstein, por exemplo – para os que dispõem de recursos (e bote recursos nisso…) e existem, também, numerosas opções para quem pode arcar com um bom e confiável plano de saúde.
Com a melhora e a extensão do atendimento médico a todos os cidadãos, bem como o encarecimento dos tratamentos particulares, aqueles ambulatórios foram desaparecendo, desaparecendo e hoje não passam de reminiscências, que ora mal escrevo, apenas para dar testemunho de "tempos idos e vividos".
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