A luz

Em oito de abril de mil novecentos e cinquenta e três, na Maternidade Santa Terezinha, cuja localização na época era na Avenida Paes de Barros, nascia Sueli, filha de Francisco e Laura.

Nossa, vocês não podem imaginar a loucura deste dia. Minha mãe começou a sentir dores e, talvez por ser marinheira de primeira viagem, achou que era o momento. O corre-corre começou: pega mala, pega esposa e maternidade. Alarme falso!

Volta para casa, passadas algumas horas, novamente tudo outra vez. Alarme falso!

Meu pai já estava ficando preocupado, pois já várias idas e vindas e alarme falso.

Até que lá pelas 16h00, voltaram para lá minha mãe, meu pai e minha madrinha, a dona Josephina, uma italiana danada de porreta que já foi armando uma tamanha confusão na maternidade: afrontou enfermeiras, médicos, até que minha mãe e eu, claro, fôssemos atendidas rapidamente.

E não é que ela tinha razão?! Às 17h15min eu nasci.

Meu nascimento foi difícil; por estar passando da hora, quase morri; o cordão umbilical estava enrolado em meu pescoço, e eu já estava roxinha, roxinha (não sou corinthiana não, tá, sou verdão com muito orgulho).

Graças a você, minha querida Pina, como a gente carinhosamente te chamava, eu pude, pela primeira vez em minha vida, ver a luz.

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