Hoje encontrei "por acaso" o Senhor Osni. Tem boa altura, sorriso nos lábios, sempre bem vestido. Disse-me que sai pouco de casa, que quase não lê devido à falta de vista e que seus óculos ficam embaciados, por isso lê só o necessário. Já passou dos setenta anos.
Conversamos por um bom tempo. Éramos colegas de empresa.
Seu Osni jogou futebol, não se profissionalizou como eu, mas estivemos perto. Isto pouco importa. Disse-lhe que tinha sido um profissional de mão cheia, embora não tenha feito nenhum contrato. Porém como jogou bola com jogadores que também conheci! O Monge, Lancha, Xará e outros mais. Era lateral direito, posição que detestava, mas como era alto, uma barreira humana, colocavam-no na defesa. Queria mesmo era ter jogado de centroavante, e por esta razão não se interessou tanto pelo futebol.
Conhece a maioria dos ex-atletas, e sabe histórias como ninguém. Disse-lhe que pretendia ouvi-lo sem parar contando as suas histórias. Dos times de futebol, desde quando começaram e o andamento da carreira dos atletas desde seu aparecimento até a consagração (se é que houve), ele jogou pelo São Cristovão, time do bairro também chamado de 25, situado ao lado dos trilhos da rede e Estação ferroviária Dona Teresa Cristina, na cidade de Criciúma-SC. Capital brasileira do carvão.
O que tem esta passagem com a cidade de São Paulo, e com os paulistanos? Nosso estado é pródigo de grandes jogadores, um celeiro do futebol brasileiro. Lembro-me rapidamente do Valdo, nascido em Siderópolis, do Mengálvio (Laguna), que atuou no Santos F.C.; Zenon, Guarani, Corinthians e Seleção brasileira; Valdomiro, ex-Inter e seleção brasileira de 74. Toninho, atacante do Palmeiras. Tenente quarto zaqueiro e Wanderlei, do tricolor são paulino. Hélio, da Portuguesa de Desportos; Teixeirinha, do Botafogo do Rio de Janeiro e Bangú; Sergio Gil, precocemente falecido, jogou pelo Corinthians. Gainete, ex-Inter, Vasco da Gama; Oberdam, florianopolitano, atuou no Santos; e outros tantos mais.
Seu Osni afirma que Leônidas da Silva foi melhor do que Pelé, e que o jogador Fenício, santista, fez mais gols do que o rei Pelé.
Assim foi a conversa fluindo, se desenrolando. Conversamos sobre o Ouro Preto, Comerciário, hoje Criciúma, Metropol, Atlético Operário, Itaúna, Treviso e Próspera, grandes times do passado. Ele falou também do Atlético de Imbitura, num jogo cujo placar encerrou num 4 x 4.
Sei que existem muitas pessoas aqui do site que gostam de futebol, por isso estou contando esses fatos e também sobre as irradiações esportivas, dos cronistas esportivos da nossa Rádio Bandeirantes e Rádio Tupi, e outras de antigamente: Fiori Gilliote, Pedro Luiz, e tantos outros que não me recordo agora. Tínhamos um locutor daqui que se transferiu para São Paulo e participou do grupo da Rádio Bandeirantes: era o Mauro Mendonça, se não estou enganado no nome.
Joelson era o nome do Lancha, lendário jogador que conheci e, segundo dizem, pelo fato de não ter sido autorizado a namorar uma moça de quem gostava muito, não sendo aceito por parte da família da namorada, se deixou abater fortemente, e por isto apressou ou adiantou a sua morte.
Mas nossa conversa toda foi muito prazerosa, e relembramos de fatos do passado, distante, felizes e com muito gosto e apetite. Foram pessoas que conhecemos em épocas um pouco diferentes um do outro.
Ele afirmou sobre o anunciado Museu do Futebol, que esta sendo montado em São Paulo; desconheço também o andamento das suas obras.
Mencionou o Sr. Osni que, no Mineirão, existe um museu que traça todas as etapas do futebol mineiro e dos atletas brasileiros e estrangeiros que por lá atuaram e se destacaram.
Gostaria, então, que aceitassem vocês a história que conto hoje, jogando futebol pelo glorioso São Cristovão, time de várzea, em que posso afirmar, com toda certeza, que se tratava de um time ou clube do "nipe" de um Ipiranga e de outros daqui do futebol varzeano da capital paulista e arredores. Seu presidente era o Sr. Milton Biffe, proprietário de um bar próximo aos trilhos da rede ferroviária. O campo do São Cristovão ficava aos fundos do bairro.
Assim sendo, quero prestar esta homenagem ao Seu Osni. Fiz questão de lhe dizer que o admirava, pela sua educação, pela sua postura, e também por sua gentileza que aprendi a gostar. Prometeu-me que, para o ano seguinte, voltaríamos a conversar sobre futebol e sobre as nossas lembranças. Compartilho com vocês, então, esperando que apreciem. Vou chamar essa história de “O lateral que queria mesmo ser centroavante”.
O homem demonstra uma humildade que vocês todos, acredito, gostariam de conhecer. Deixo o meu abraço a todos os amigos deste site, cada dia mais concorrido com novas atrações, novas histórias, todas interessantes, que não sabemos bem como irá ter fim. A cada dia se torna mais difícil aparecermos na lista dos autores, porém estamos numa boa, apreciando a banda e os "bondes" passarem.
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