Com doze anos, logo após ter voltado de uma frustrada tentativa de morar em Lins-SP com a minha irmã mais velha, fui residir na Vila Mariana, onde permaneci por vinte anos, até casar.
Nunca fui muito de ter amigos, portanto me divertia sozinho, indo a cinemas e estádios. Aos domingos, era comum ter o Estadão à minha disposição e, na falta de um bom jogo, o programa era mesmo o cinema.
Quem viveu nessa época certamente vai se lembrar do caderno de cinemas do Estadão. Em duas ou três páginas eram exibidas as fotos dos cartazes com os principais filmes. Na última página havia aquela enorme lista com todos os cinemas, dividida por Centro e Bairros e até mesmo os de algumas cidades vizinhas, como Osasco e ABC.
E todos os bairros tinham os seus cinemas, enormes, alguns com platéia e balcão. Mais tarde os cinemas foram rareando; os de bairro foram fechando e a página foi diminuindo. Podiam-se ver, então, os poucos do centro ainda ativos e não mais os de bairros, mas sim os da Augusta, Paulista e Jardins. Hoje, os de rua são poucos, predominam agora os de Shopping.
E naquela época podia-se entrar em meio de sessão, assistir a uma parte e depois ver o restante na sessão seguinte. Eu não gostava. Preferia ver de cabo a rabo. Ou então, se o filme fosse muito bom, podia-se assisti-lo várias vezes. Hoje, terminada a sessão, a saída é obrigatória. Os cinemas mais mixurucas apresentavam programas duplos e até triplos.
Às vezes eu me metia em enrascadas indo sozinho a esses pulgueiros. Muitos homens estavam ali para outros fins, menos assistir ao filme. Senti isso várias vezes na pele quando uma mão boba ao meu lado vinha procurar alguma coisa na minha região pélvica. Eu simplesmente me levantava e mudava de lugar.
Às vezes, dois filmes eram programados para o mesmo dia e eu, então, conseguia sair de um cinema para em seguida entrar em outro, desde que ficassem próximos.
Hoje eu raramente vou ao cinema. Assisto aos filmes pela TV a cabo. Nem dvd eu tenho. Tenho dificuldade em lidar com toda essa parafernália tecnológica. Já tive vídeo-cassete, mas desde que um ladrão entrou em casa e o levou, não quis mais ter outro.
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