Nos jardins perto de casa, nasceram três quero-queros.
Correm o dia todo, pequeninos, sob os olhares atentos dos papais quero-queros. Ciscam, correm; correm, ciscam. A vida que levam é um eterno correr e ciscar.
Os pais, impávidos, comunicam-se entre si, denunciam um ao outro quem chega, alertam estes indesejáveis visitantes e, se os avisos não bastam, ameaçam e tendem a realmente atacar.
Bem mais "humanos" que muitos "humanos" que existem por aí, quero-queros, bem-te-vis, sabiás, baleias, tigresas e outros animais protegem a cria de uma forma absolutamente comovente.
Quando os animais surgiram sobre a terra, foi-lhes recomendado que, ao conceber, lambessem a cria, e este gosto alucinado perpetuou-se nas espécies.
Hoje, em São Paulo, sob este céu azul de outubro que tanto demorou a abrir, há ao meu lado esta magia.
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