Ciganos no Alto de Pinheiros

Aos 12 anos (1958), eu e alguns amigos do bairro de Pinheiros (residíamos próximo a uma das melhores escolas públicas da época, o Fernão Dias Paes) praticávamos o "roubo" conjunto de varais de roupa de cordinhas usados por nossas mães, e íamos ao Alto de Pinheiros fazer troca com ciganos que lá viviam acampados (ainda era uma área de loteamento recente, com poucas casas enormes sendo construídas).

Recebíamos o direito de andar por três horas em seus cavalos, cobertos apenas por uma espécie de colchonete e cabresto de corda. Cavalgávamos felizes (geralmente um grupo de três a quatro meninos, alguns mais velhos com 15 ou 16 anos) e partíamos para encarnar o Rei Arthur e seus escudeiros pelas bandas da estrada da Boiada e, muitas vezes, pela estreita pista de terra da marginal do Rio Pinheiros.

Era muito bom e, felizmente, nós sabíamos!