A pedido de alguns amigos mais saudosistas e sonhadores, assim como eu, volto a contar pequenas passagens que aconteceram naqueles anos dourados.
Naquela época não tinha divertimento melhor para os jovens como os bailes e os cinemas. Quantos clássicos ficaram na história! O que mais marcou minha juventude foi Suplício de uma Saudade. A música desse filme é inesquecível; eu o assisti, pelo menos, umas quatro vezes com meu primeiro namorado, por isso me marcou demais.
Ele era um duro e nós íamos a pé, por não ter dinheiro para a condução, mas achávamos muito bom, porque podíamos ficar a sós no trajeto de casa ao cinema, já que minha mãe e minha avó não deixavam a gente sozinho um só minuto, sempre tinha uma vela por perto.
Para irmos aos bailes à noite, minha tia que nos acompanhava e ficava de castigo, sentada até o fim, quase cochilando, e o marido dela, meu querido e finado tio, precisava colocar o relógio para despertar às 3h30 da madrugada para nos buscar com Seu Sinca. Ele sempre resmungava, porque nós não queríamos voltar antes das 4h00.
Quando chegávamos em casa, ninguém queria dormir, era só risadas e comentários a respeito do baile; precisávamos levar umas boas broncas para ficarmos quietas. Imagine quatro jovens, que farra fazíamos.
Era essa mesma tia, que na época era uma costureira de grande prestígio, que fazia nossos vestidos cheios de vidrilhos e pedrarias, lindíssimos. Deixávamos ela maluca, tendo que trabalhar até altas horas para fazer nossos caprichos.
Quando entrávamos no salão, era uma festa deslumbrante. As moças cheirando a laquê, misturado com o perfume Miss France imperando e os moços com os cabelos cheios de brilhantina e o famoso Lancaster, lembram-se disso?
Para se destacar, os calouros usavam o paletó do avesso. Quantas fotos tirei dançando com eles, mas nunca fiquei com nenhuma como recordação.
Tenho certeza que você que esta lendo tudo isso, talvez, tenha sido até testemunha daquela felicidade. Um forte abraço!
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