Bonde Elétrico

No centro, circulando imponente e procedente da Avenida São João, Vale do Anhangabaú, subindo a Avenida Ipiranga e rumando ao destino sabe-se lá para onde, com acesso à direita quando chegava à Praça da República, e, contornando-a, seguia um veículo caracterizado como um bonde elétrico da CMTC.

A lembrança está gravada em minha mente. Noite muito chuvosa, cidade escura, mas com um brilho esplêndido das luminárias e cartazes, painéis coloridos, sob as marquises das ruas centrais.

Do interior do veículo, se avistavam as faíscas elétricas provocadas pelo contato de fios (cabos de aço), atados à rede elétrica da Cia. Light. Como imaginar um veículo com essas características na década de 60? Aquele tipo de transporte, nem pensar. A impressão era de que estava ultrapassado; porém, hoje penso que não. Muito mais econômico e menos poluente, sem dúvida alguma.

Tenho saudades deles e existiam mesmo. De cor vermelha, circulavam de um lado para outro, com freio e tudo o mais que os veículos possuem. As portas abriam-se e fechavam-se para embarque e desembarque de passageiros, feitas num contato manual dos motoristas por uma manivela à sua esquerda.

Esses "ônibus" eram comuns. Normalmente, seus condutores eram pessoas educadas, bem comportadas. Faziam o serviço com uma dedicação exemplar. Lembravam os vagões de trens e grandes locomotivas a vapor, da antiga empresa de transporte ferroviário Dona Tereza Cristina, da qual fui usuário por muito tempo de uma linha que existia no sul do meu estado, que ligava as cidades de Araranguá e a Imbituba (Porto marítimo).

A empresa hoje esta desativada, só restaram os trilhos. Foi, por muito tempo, utilizada para o transporte do carvão industrial, extraído das minas em Criciúma – SC, a região carbonífera.

Como contador de histórias, agora sobre o transporte coletivo paulistano, para mim é um honroso prazer prestar esta pequena homenagem por meio da lembrança, que serve como testemunho para a posteridade. Quem era o prefeito? Deve ter sido o senhor Prestes Maia ou um desses monstros da administração pública; talentosos que fizeram da cidade esta metrópole hoje cosmopolita.

Um abraço carinhoso, portanto, a todos vocês.

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