De Canoa no Tietê

Quando eu estava no primário, tinha um monte de colegas que costumavam contar vantagem por freqüentarem clubes como o Tietê, Floresta, Portuguesa, Palmeiras. Eu, como era pobre, só tinha uma saída: pegava o bonde Parque São Jorge, que se não me engano era o 24, quase sempre acompanhado pelo meu amigo Rato, dando voltas pelo estribo para fugir do cobrador (pois não tínhamos dinheiro para pagar o bonde), e íamos ao clube Corinthians, lá na futura Marginal do Tietê.

Pulávamos a cerca, ou passávamos por entre os inúmeros buracos do alambrado, e íamos todos satisfeitos até a raia de remo, onde pedíamos uma “carona” para os remadores. Assim, me sentava no fim do barco, o Rato na frente, e passeávamos como um contrapeso até a ponte das Bandeiras, e após, rio acima para o ponto de partida. Os remadores até gostavam de dar carona, pois o barco mais pesado era um estímulo ao remo.

O Rio Tietê não era limpo, mas a água tinha aparência de barrenta e ainda existiam alguns peixes por lá. A água não era malcheirosa, tanto que se podia navegar remando, e eram muitos os barcos de clubes que subiam e desciam o rio naquela região.

A volta era quase sempre outra aventura nos estribos, e muitas vezes tínhamos que pular do bonde e esperar por um outro, pois fugir do cobrador era uma arte. Na manhã seguinte, contava a proeza da véspera para os colegas, que ficavam boquiabertos como quem assiste a um filme.

Só bem mais tarde é que pude ficar sócio da Portuguesa de Desportos, quando foram construídas as piscinas.

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