Bem, tudo começou pela simples razão de um dia terem existidos os ginásios vocacionais no Estado de São Paulo. Eles existiram na década de 60 – de 1962 a 1969. Foram extintos pelo governo militar em 1969. Após seu fechamento, ainda se tentou manter viva a chama, mas os anos de chumbo não davam folga. E o tempo foi passando…
Sua coordenadora, Maria Nilde Mascellani, deixou um testamento cultural, que deveria ser retomado pelos ex-alunos da experiência vocacional. Todo material que se conseguiu salvar acabou indo para o Cedic-Puc/SP. Em 1986, houve um encontro no Colégio Equipe.
“Dia 19 de junho de 2000, às 16h00, no Salão Nobre do Palácio Anchieta (Viaduto Jacareí, 100 – 8º. andar – Bela Vista), aconteceu uma sessão solene da Câmara Municipal de São Paulo destinada a homenagear postumamente a Profa. Maria Nilde Mascellani, falecida em 19 de dezembro de 1999. A homenagem constará de outorga de Medalha Anchieta e diploma de gratidão da Cidade de São Paulo” (Pátio – Site da Gvive)
Ações e teses começavam a pipocar aqui e ali, sem prévio conhecimento uns dos outros. Teses sobre a experiência vocacional surgiam em varias áreas na academia. Algumas teses acabaram virando livros e atingindo um público maior:
– “Lançamento do livro, pela Annablume Editora Comunicação Ltda. (Fone: 3812-6764), Os Ginásios Vocacionais: A Dimensão Política de um Projeto Pedagógico Transformador, de Angela Rabello Maciel de Barros Tamberlini”. (06 de Novembro de 2001 – Pátio)
– “15 de abril 2002. Lançamento do livro Martinho, o Velho e o Tempo Novo, de J. C. Caio Magri, pai de um ex-aluno do Colégio Vocacional Candido Portinari, de Batatais, está lançando no mercado, este mês, um romance ultra-importante para quem quer conhecer um pouco mais sobre o vocacional. A partir do dia 15 de abril, o livro pode ser adquirido no site www.viasette.com.br . O livro é dedicado à Profa. Maria Nilde Mascellani, uma das idealizadoras do ensino vocacional brasileiro”. (11 de Abril de 2002 – Pátio)
– “Lançamento, em Americana, do livro do ex-aluno Ary Meirelles Jacobucci, hoje professor: Revolucionou e Acabou? Breve Etnografia do GEVA” (2002 – Pátio)
Somente quarenta anos após a criação do S.E.V.- Serviço de Ensino Vocacional, em 1962, professores, ex-alunos e pais conseguiram unir forças e fazer uma aparição pública de peso, falando dos vocacionais. Isso aconteceu em 9 de dezembro 2002, na Assembléia Legislativa de São Paulo, onde professores e pais de alunos puderam, afinal, resgatar a história que não havia sido ainda contada. Durante horas, discursos inflamados puderam então ecoar.
Este foi, sem dúvida alguma, o chamado geral que pouco a pouco foi acordando mais de cinco mil ex-alunos ainda dispersos. Quantas vezes pessoas conversavam, faziam negócios, amizades e/ou prestação de serviços, sem saber que, ali na sua frente, estava um ex-aluno, um amigo de outrora.
Durante anos, tentou-se fazer encontros organizados aqui e ali, mas talvez ainda não fosse a hora certa. Conta a história que encontros se realizavam na casa de ex-alunos, como da Gloria Omori T62, da Zaira T69, da Maisa T63 e outras mais. Sem que alguém pudesse perceber, um despertar estava em andamento.
Um pouco da história da GVive
“Desde março de 2005, ex-alunos do GEVOA têm se encontrado no primeiro sábado de cada mês, no Bar Memorial, no Campo Belo. A iniciativa, que partiu de representantes da turma de 69, foi recebendo adesões de outras turmas mês a mês. Três meses depois, desta vez no dia 11, o Memorial foi testemunha de um encontro marcante com representantes das turmas de 62 até 77 e vários professores, que se reuniram para um animado almoço, que se estendeu até tarde da noite. Foram quase duzentas e cinqüenta pessoas.”
“Nas semanas seguintes, uma intensa troca de e-mails e telefonemas, entre os que participaram daquela reunião, foi convergindo para o amadurecimento da criação de uma associação que desenvolvesse, de forma ordenada, as idéias que estavam sendo rapidamente geradas. No encontro de 2 de julho, o grupo se reuniu para confraternizar e também para pensar em como materializar todo esse caldo de idéias. A partir deste encontro, definiram-se grupos de trabalho com tarefas específicas: formalizar a criação da associação, a GVive; se aplicar na atualização do cadastro de ex-alunos e professores; trabalhar pela recuperação da memória documental e afetiva do Vocacional; interagir no espaço físico do Oswaldo Aranha; e criar um website para servir como ponto de aglutinação de todas estas idéias, foram algumas das metas listadas.” (Site www.gvive.org)
Criação da Gvive
“No dia 6 de agosto de 2005, em mais uma reunião de confraternização dos ex-alunos do GEVOA, e agora com a presença de ex-alunos de outras unidades, foi fundada a GVive. Ela se expressa em seu site www.gvive.org por meio de notícias, dados e informações na comunicação contínua entre seus associados. Na ata de fundação da GVive, constam cento e dezoito nomes de ex-alunos de todas as turmas. Estavam presentes, além de professores, pais e colegas de Americana, Batatais e Rio Claro” (Site)
Primeiro Encontro Anual da Gvive: 2005
“Dia 03 de dezembro de 2005, no Restaurante La Glória (Avenida Macuco, 685, em Moema), ocorreu nosso primeiro encontro anual. A primeira contagem das comandas existentes, encerrada às 18h00, registrou o expressivo número de quinhentas e noventa. Após esse horário, mais sessenta pessoas foram relacionadas ao evento. Portanto, o número de adesões atingiu a contagem de seiscentas e cinqüenta pessoas, sendo esse considerado o número oficial para este evento.” (Site)
Segundo Encontro Anual da GVive: 2006
“Nesse segundo encontro de final de ano de 2006, foi grande o comparecimento de professores e número significativo de ex-alunos, com mais quatrocentas e cinqüenta pessoas presentes. Desta vez, houve uma espécie de cerimônia de abertura com o Paulo Ângelo, Zé Mauricio, Aleixo e Cida Schoenacker. Pronunciamentos de boas vindas aos colegas que lá estavam pela primeira vez e aos professores presentes, que foram assediados pelos seus ex-alunos. Data: Sábado, 02 de dezembro de 2006. Local: La Glória” (Site)
Terceiro Encontro Anual da GVive: 2007
“O terceiro encontro de final de ano, em 2007, foi realizado no pátio do Oswaldo Aranha. Houve grande comparecimento de professores e número significativo de ex-alunos, com mais quinhentas pessoas presentes. Com banners, cada aluno inscrito pôde ver sua ficha do GEVOA.”
Bem, essa história ainda está sendo escrita e muito ainda deve ser feito para que a experiência sobre os vocacionais deixe as prateleiras das bibliotecas e sejam conhecidas por mais educadores, pedagogos e os governos e seus secretários de educação.
Aqui no Estado de São Paulo, existiu uma experiência testada por oito anos em seis unidades diferentes e provou que podia dar certo. Professores e alunos são unânimes em demonstrar e apoiar tudo que se viveu ali. Muito se fala na Escola da Vila, em Portugal, mas aqui bem mais perto existiu a maior experiência em escola pública que se conhece.
Vejam as manchetes de jornais:
– Revista Realidade – Fev/1967: “Já existe a escola de amanhã”.
– Estado de São Paulo – 1967: “Vocacional dá exemplo: Governo Estudantil”
– Revista Visão – Jan/1970: “Vocacional – Renovação ou Subversão?”
– Jornal da Tarde – 1979: “Vocacional:10 anos atrás falecia uma utopia”
– Revista Isto É – Dez/1979: “Dez anos sem uma escola inovadora”
– Sinapse da Folha – Ago/2002:” Vocacional: por que os bons tempos não voltam?”
– Folha de São Paulo – Jul/2002: “O velho vocacional ensina de novo a aprender”
– Folha de São Paulo – Jul/2002: “Aprendi a conviver com as diversidades”
– Revista Nova Educação – Ed. 109, 2006: “Legado de Inovação – Gvive”
– Revista Nova Educação – Ed. 132, 2008: “No tempo do estudo integrado: Ginásios vocacionais”
– Jornal O Liberal – Americana – 2007: “A Paideia da Educadora Maria Nilde”
Continua…
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