As árvores de São Paulo

O nome da flor, da planta, da árvore, da grama ou do capim. Parece ser desrespeito, desleixo e interesse escuso.
Nos meus tempos de criança, anos 1950, os quadrados (pipas) ficavam enroscados nos altos pés de eucaliptos da Rua João Cachoeira, que a gente chamava de calipal. Ou então embrenhávamos nos capins de mais de um metro de altura, que a gente chamava de capinzal. Quando mudamos para o vizinho bairro do Brooklin, na divisa com a Vila Olímpia. A coisa era bem maior e muito cheiro de mato, de eucalipto, e de saúde.
Um tempo que agente sabia qual era a folha do eucalipto macho ou fêmea. Para fins de chá ou de bálsamo para curar sinusite era aconselhado ferver a folha do eucalipto macho. E qual era a folha eucalipto macho? Era aquela que tinha a folha mais estreita e comprida. A folha mais gorda e curta era denominada de folha de eucalipto fêmea. Será que os biólogos ainda pensam assim?
A verdade é que minha mãe curou sua sinusite com esses bálsamos, orientada por um cidadão de origem alemã que morava na Rua Araúna – Brooklin, que dava consultas grátis em sua casa, ele era espírita.
No meu tempo de escola quando estava chegando o dia 21 de setembro, denominado de “O dia da árvore”, as professoras mandavam fazer um trabalho sobre a primavera que se aproximava, e o tema era a árvore. O símbolo de saúde, sombra, o segundo pulmão do homem. 21 de setembro era confundido com o dia da árvore e da primavera. Nos dias de hoje prevaleceu o dia 21 como da árvore e 23 como dia da primavera.
Nas escolas os professores, diretores, funcionários braçais e alunos participavam da solenidade do dia da árvore. O “símbolo” da árvore era um pé de café e, eu por muitos anos vi essa arvorezinha ser plantada, e, muitas vezes, arrancada pouco tempo depois. Até mesmo quando já mais crescido estudando no SENAI, o jardim da escola na esquina das Ruas Monsenhor Andrade com Rua Assumpção, via que um pezinho de café era plantado. Enquanto palavras de saudação eram lançadas ao novo e futuro arvoredo, que na verdade seria mais uma peça artificial para nosso pulmão, este recebia as últimas pazadas de terra, depois uma grande salva de palmas avermelhavas das mãos de todos os presentes.
Dias depois era fácil de perceber que aquela arvorezinha estava seca, sem um refresco. E o gramado cheio de papel de sorvete, doces que eram vendidos na porta da escola, folhas de jornal, que se regado fosse era bem capaz de a terra continuar seca. Era o mau exemplo que a escola dava. Mas nos bairros aonde adultos não iam à escola por falta de tempo, ou má vontade, não tomavam este tipo de atitude, pelo contrário, o carinho com as plantas era evidente. Ter árvores frutíferas, ou não, era uma coisa comum, e mais: a terra era afofada e regada pelo menos à tarde, quando o sol se punha. Na minha casa essa tarefa era minha. Isso sem contar com a horta que eu tinha que cuidar. As casas em sua maioria tinham um jardim na frente, com grama, flores e árvores. No jardim da minha casa um vistoso pé de jasmim era o que chamava atenção por quem por lá passava. É uma árvore que cresce rápido e precisa ser sempre podada para ficar sempre esbelta. E como esbelta ela era, com suas flores amarelas! Será que hoje, alguém sabe qual é a arvore que se chama jasmim?
Onde moro hoje, que é de esquina, tem 20 metros de extensão. Por muito tempo, ficou sendo parte de estacionamento de carros com as rodas em cima da calçada. Quando cismei de plantar árvores foi uma tremenda bronca dos vizinhos. Das quatro árvores plantadas, duas eram constantemente arrancadas. E cada vez que outra era plantada o vandalismo aumentava.
Foi preciso recorrer à prefeitura para plantar outras e, só assim, os vândalos passaram a respeitar. Penso que nós munícipes não temos o direito a realizar algo que a prefeitura custa a fazer.

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