Os 50 anos da imigração japonesa no Brasil

Em 1958 se comemorou os primeiros 50 anos do inicio da imigração japonesa no Brasil. Morávamos no Brooklin e éramos vizinhos do Deputado Federal João Sussumo Hirata. Dr. Hirata foi o primeiro deputado federal brasileiro na condição de filho de imigrantes japoneses. Pessoa extremamente simpática e pai de família numerosa, se não me falha a memória eram 8 filhos, exatamente como a nossa família também. Era comum encontrá-lo, sua esposa e alguns filhos na missa dominical na igreja do Sagrado Coração de Jesus.

Em época de eleição, eu e alguns irmãos que também regulavam em idade com os filhos do Dr. Hirata, era comum distribuirmos “santinhos” entre os eleitores no Brooklin. Ao entregar o santinho dizíamos: “ele é japonês, não rouba como os outros”. Deve ter surtido seu efeito, pois soube através de testemunhos posteriores que ele representou dignamente a sua colônia e reduto eleitoral por boas legislaturas.

Em Junho daquele ano Dr. Hirata organizou para a colônia residente na zona sul de São Paulo uma festa no Brooklin, para comemorar os 50 anos. O local escolhido para o evento foi um campo de futebol existente nas proximidades do atual Pão de Açúcar (antigo Peg-Pag), que ainda não existia.

Conheci algumas pessoas que tinham vindo na viagem e integrado a primeira leva de imigrantes desembarcados em Santos em 1908. As roupas típicas (kimonos) chamavam a atenção, bem como as danças e as músicas. Até então nunca tinha visto ou saboreado a comida típica japonesa, e confesso que não gostei, bem ao contrário dos dias de hoje. Ensaiei algumas palavras mal pronunciadas em japonês, que tinha aprendido com os nossos amigos, e as respostas por parte dos participantes vinham com muitos sorrisos e várias inclinações.

Eu mesmo sou um imigrante (holandês) e aprendi a respeitar essa gente, tão ordeira e laboriosa. Não me sai da lembrança que quando cumprimentava as pessoas de mais idade, sentia as mãos calejadas, resultante do trabalho duro na terra, e como resposta notava uma expressão no rosto, mista de saudade e de esperança.

Não houve a grande queima de fogos (como nos 80 anos em Interlagos) nem a pompa e circunstância dos 100 anos recentes, mas uma festa caseira e simples como deveria ser, daqueles que fizeram parte da história dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil.

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