LEMBRANDO AS FESTAS JUNINAS

Os festejos folclóricos tão importantes culturalmente estão sendo relegados a um plano inferior e, quase totalmente esquecidos.
Como eram gostosas as “festas caipiras” da minha juventude. Vale a pena recordar. Então fecho os olhos, deixo as lembranças tomarem conta dos pensamentos e…
“O baile vai desenvolvendo-se em clima de alegria, os participantes, vestidos a caráter”. Eles de calças esporte, onde remendos foram aplicados como decoração, camisas geralmente em padrões de xadrez e na cabeça um chapéu de palha na maioria das vezes desfiados na beira das abas. Elas ostentando, orgulhosa e brejeiramente, vestidos de chita em cores e estampas variadas, com abundantes babados e rendas decorativas, nas cabeças ostentam chapéus de palha mais delicados.
As musicas, na sua maioria, são contemporâneas e ajudam a alegrar a parte dançante do evento.
Por volta das 24:00 horas, quando todos os convidados já davam o ar de sua graça nos salões, no intervalo de uma seleção musical, eis que surge no palco, vinda dos fundos do salão, a figura de um padre, no meu devaneio o padre continua sendo a figura negra e gordo do Bolão (Arnaldo Mathias Seraphim).
Ele adentra o salão resmungando, pedindo passagem e dizendo que tem de trabalhar. Subindo no palco, faz gestos de procura, buscando achar os noivos que ocasionaram sua presença na festa.
Então, na seqüência, a comitiva do casório faz sua entrada nos salões. À frente está a noiva, no seu vestido branco, decorado com fitas amarelas e roxas, véu e grinalda. Traz nas mãos um buquê de couve-flor graciosamente decorado.
Vem alegre, pois está prestes a desencalhar.
Atrás chegam o noivo que caminha deliberada e totalmente amarrado tendo de um lado o delegado e do outro o pai da noiva que, para ajudar ao noivo na decisão segue armado com um enorme e impressionante trabuco.
As cenas que se seguem são de um casamento totalmente realizado de forma humorística e muito animada.
Lembro de uma musica muito cantada na época cuja letra era a seguinte:
No dia do meu casório
Teve um festão danado
Oiava pra todas bandas
Num fartava mermo nada.
Tinha pamonha,
Mio verde assado,
Leitoa gorda
E uns franguinho
impestiado
As roupas do meu casório
Veio de Botucatu,
A carça de baeta,
Palito de pano azur.
Ai, ai, ai,
Ai que pancadão
Butinão branco
Gravata de listadão.
Quando fumos pra capela
Seu vigário me preguntô
Mecê qué casa cum ela
To querendo sim sinhô
Pois si é de gosto
Bota aqui as mão
Estão casados
Vão cuida da obrigação.

Pronto! Casamento concluído, o pai da noiva conclamava os convidados pra dança da quadrilha, os pares se formavam dando a impressão de coisa improvisada, mas que tinha sido ensaiada até a exaustão.
O sanfoneiro atacava com as musicas tradicionais, os bailarinos formavam duas alas, a masculina e a feminina, o puxador da quadrilha tomava seu posto e começava a marcar os passos:
-Cavalheiros, cumprimentar as damas (Os cavalheiros avançavam ate a ala das damas)
-Tur (o par se abraçava e dava um volteio)
-Cavalheiros aos seus lugares
Damas, cumprimentar cavalheiros (era a vez das damas irem ao encontro da ala masculina)
-Tur
-Damas aos seus lugares
-Balancê ao centro (as duas alas avançavam até o centro e os pares ficavam frente a frente)
-Fazer roda grande (os dançarinos davam-se as mãos e formava uma grande roda)
-À direita… À esquerda… (a roda girava de acordo com a chamada)
-Formar fila de um (as mãos eram largadas e os bailarinos seguiam a roda em fila indiana)
-Cesto de flores (as damas levantavam os braços e os cavalheiros seguravam em suas mãos mantendo a fila indiana)
-Tur (em rápido rodopio, a dama era girada para trás. Esse passo era repetido até que os pares ficassem certos)
-Passeios à direita (continuava a roda grande agora com os pares lado a lado e de braços dados)
-Meia vorta (Os pares davam meia volta e continuavam a girar em sentido contrário ao anterior)
-Vorta atráis (os pares voltavam e girar no sentido anterior)
-Preparar para sair em copas (a roda parava, as damas ficavam de frente para o cavalheiro, cavalheiro segurava com a mão direita a mão esquerda da dama, sempre marcando passo)
-Tur (em ziguezague, os pares iam se alternando a cada comando,de tur até se formar novamente o par original)
-Balancê ao centro (novamente formadas as alas masculina e feminina, elas ficavam ao centro do salão)
-Roda Grande (dando as mãos, os dançarinos formavam nova roda grande)
-Cavalheiro tirar dama pra dançar (um cavalheiro vai para o centro da roda e tira uma dama pra dançar. Ao comando de Tur dão um volteio)
-Dama tirar cavalheiro pra dançar (cavalheiro que estava na roda volta para seu lugar e a dama é quem tira um cavalheiro. Os pares vão se alternando a cada comando)
-Fila de um, fazer caracol (a roda segue atrás do líder dos pares que vai fazendo um caracol e desfazendo o mesmo para terminar em nova roda grande)
-Formar pares e seguir na roda (os pares se formam, se dão os braços e seguem girando)
-Túnel do amor (os pares se dão as mãos com os braços para cima e começam a passar por dentro do tiniu)
-Voltar para Roda Grande (forma-se novamente a grande roda)
-Damas por dentro (as damas fazem roda por dentro da roda formada Pelos cavalheiros)
-Cavalheiros coroar damas (os cavalheiros, de mãos dadas passam os braços por cima das cabeças das damas) Descoroar (cavalheiros voltam à posição original)
-Fila de pares (formam-se novamente os pares em fila indiana ao centro do salão)
-Separação de pares (os pares vão se separando, um par para a direita e ou8tro para a esquerda até formar duas alas de pares uma frente à outra)
-Estrela de quatro (os pares formar grupos de quatro, estendem os braços para o centro e formam estrelas que giram para esquerda e para a direita de conformidade com o comando do marcador de passos)
-Roda de quatro (Os pares desfazem a estrela e formam rodas de quatro dançarinos)
-Olha o beijo das comadres (as damas de cada roda se aproximam e se dão beijinhos)
-Olha a barrigada dos compadres (os cavalheiros de cada roda se aproximam e batem barriga com barriga)
-Passeios à direita (seguindo o líder os pares originais vão formando uma coluna ao centro do salão)
-Olha a roda grande (Os pares se dão as mãos e formam uma grande roda)
-Fila de um (os pares soltam as mãos e continuam na roda grande em fila indiana)
-A ponte quebrou (Assustados os dançarinos dão meia volta e seguem em sentido contrario) É mentira (os dançarinos voltam ao sentido anterior)
-Tem cobra no caminho (Os dançarinos dão pequenos saltos começam a girar no sentido contrario) É mentira (reclamando, os pares voltam a girar no sentido anterior)
-Olha a chuva (colocando as mãos sobre as cabeças, os dançarinos mudam novamente o rumo do giro) É mentira (demonstrando alivio os dançarinos voltam a girar no sentido anterior)
-Preparar para a saída (os dançarinos formam os pares originais)
-Vamos se despedir e voltar pra roça pessoal (os pares vão se despedindo do público e saem do salão)
O marcador de passos se despede da platéia, a musica acaba e a quadrilha termina aguardando um novo ano e uma nova oportunidade para se apresentar.
Abro os olhos, as imagens somem da minha retina e eu volto ao consciente de que nada mais disso está acontecendo. Que pena!

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