De repente, me descubro paulistano. Assim, paulistano em essência, de corpo e alma. Digo, aliás, que me descubro paulistano, porque paulistano, na maioria das vezes nem percebe que é. Acha bonito o folclore de outras paragens, mas não se dá conta de pertencer a uma cidade cheia de belezas e tradições.
Sou neto de italianos, por parte de mãe, bisneto de portugueses e alemães, por parte de pai e cresci sobre o asfalto e entre os edifícios da maior capital do país. Morei na Rua Marconi e estudei no Caetano de Campos, quando ainda era na Praça da República. Quer sujeito mais paulistano?
Para descobrir-se paulistano é preciso refletir sobre a própria história, recordar-se de fatos, de passagens, de ruas e praças. E mais, é preciso lembrar-se de pessoas. Personagens que povoam nosso cotidiano e que estariam em um livro de memórias, caso resolvêssemos escrever um.
Lá pela década de sessenta – isso já é século passado – tinha um sujeito, que andava pelo bairro da Ponte Pequena, perto do Clube Tietê, fantasiado de cowboy, da cintura pra cima, e de cavalo, da cintura pra baixo. Na verdade, nos pés calçava botas e esporas, creio que pela impossibilidade de ter cascos. Creio que ele se imaginava um cavaleiro sobre sua montaria, duas figuras em um só personagem, um centauro urbano, que tornou-se famoso na região, daquela época.
Inauguro uma série de pequenas histórias, neste site, com esta apresentação. A idéia é convidar cada leitor a descobrir-se paulistano e refletir sobre o significado dessa descoberta.
Assim, caros leitores, muito prazer. Meu nome é Glauco de Arruda Barlebem, escritor, bacharel, porém, acima de qualquer coisa, paulistano. Com todo o orgulho que eu possa carregar.
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