Nasci em um bairro chamado Caxingui, ali a cinco minutos da paineira do Butantã, na Rua Quitanduba precisamente. Aos 6 anos, meu coração já era sãopaulino. Assim sendo, quando cheguei aos 14, meu pai já me deixava ir ao Morumbi sozinho. Eu ia andando ao Morumbi e viciei-me em estar lá vendo o São Paulo jogar. Lembro em 1964, quando eu tinha 14 anos, meu pai precisava ir trabalhar e não poderia ir comigo ao estádio, então, ele colocou-me num ônibus que saía do Largo de Pinheiros e levava só torcedores ao estádio.
Era um São Paulo x Ferroviária, com vitória nossa por 3 a 0. Mesmo antes do Morumbi ser inaugurado, meu pai levou-me ao estádio para assistir atletismo. O Morumbi então só possuía 3 gomos das arquibancadas superiores completados. A gigantesca obra tava na metade. Eu gostava e gosto muito do São Paulo, porém, gostava de assistir a outros jogos, mesmo que não contassem com a presença do meu São Paulo. Naquela época, inicio da década 1960, o visual adjacente ao estádio era todo verde, cor da natureza, eis que ali só tinha mato mesmo. Havia uma ou outra casa, dispersas, porém, o espírito do bairro é o mesmo de hoje, ou seja, lugar de gente rica. Vejam bem, tô falando do Morumbi, e não do meu bairro, que era por demais simples. É bom lembrar daquele tempo… Meu sonho era ver o Pelé de perto e fui a um Santos X Palmeiras quando, a meia distância, vi o rei ser muito assediado por autógrafos e nem pude aproximar-me do mesmo para pedir o meu. Quantas e quantas centenas de vezes assisti o meu São Paulo jogar ladeado ou por alviverdes, ou por alvinegros, sem que a palavra violência sequer viesse a cabeça de qualquer um… Assim sendo, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo tem a ver e muito com minha pessoa. Tenho histórias para contar sobre o mesmo, eis que durante muitos anos, fui muito no nosso estádio. Hoje, em 2008, faz 8 anos que não vou ao Morumba… Minha vida é outra, mas meu amor pelo São Paulo é cada dia maior…
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