Lá pelos finais dos anos 1950, morávamos na Parada Petrópolis ao lado da Avenida Adolfo Pinheiro, defronte ao Clube Banespa. Éramos uma turma de uns dez garotos ainda impúberes.
O quintal da casa de meus pais era grande e no fundo havia uma espécie de galpão, onde era realizado o encontro da turma para combinar as "atividades" do dia/semana.
Um dia era jogar bolinha de gude, outro jogar bola, pião, caçar aranhas e cobras no Morumbi, fazer excursões a pé, saindo cedo e levando "kit de sobrevivência", ir de bicicleta aos lugares mais longínquos como a Represa do Guarapiranga, Bororé, evidentemente dentro dos horários que a escola permitia ou nas férias.
Em certa ocasião, na ausência de meus pais, resolvemos fazer algo para comer na fogueira à noite, inspirados no que víamos nos filmes de então.
Alguém lançou a idéia de se fazer uma "galinha na fogueira". Idéia aprovada! Mas cadê a galinha?
Naquela época ainda não havia supermercados e nem se vendia frango já limpo e embalado como hoje. O que fazer? Guaraná e Crush já tínhamos.
Aí então o mais audacioso e intrépido, para não falar o mais "louco" da turma, disse:
– Vão fazendo a fogueira que eu dou um jeito.
E lá se prepara o Joaquim, pegando uma cordinha, uma sacolinha, um canivete e um punhado de milho, pois meus pais tinham um Empório, como se dizia na época.
Juca, como o chamávamos, e seu capanga, Maudinho de Pongaí, então foram procurar a galinha.
Tempos depois estão de volta, só que ao invés de uma galinha, trouxeram um galo, com o pescoço estrangulado e todo amarrado. E aí? Como limpar? Sobrou para a mãe de um de nossos amigos, que não fez muitas perguntas, mas estranhou, porém deixou para lá.
O galo foi escaldado, depenado, limpo e cortado em pedaços que vieram temperados em uma vasilha e com a seguinte recomendação: galo não se assa. Tem que cozinhar, e bem, etc. e tal.
Resumo: não sabíamos como fazer… E aí a "maldade", após tostarmos os pedaços, demos aos cachorros, pois de tão duros que estavam não conseguíamos comê-los.
No dia seguinte, por mera circunstância, fui ao Empório e ouvi o seu Antonio Português, que tinha um galinheiro na casa dele, que contando ao meu pai, disse:
– "Precisaires veire" o que aconteceu ontem à noite, um ladrão entrou no meu galinheiro e roubou o único galo que eu tinha e que cuidava de 10 galinhas. Agora não sei o que faço. O pior é que o desgraçado ainda quebrou o telhado e pisou nos ovos, além de "arrebentaire" a cerca.
Meu pai, que tinha visto os vestígios da fogueira no quintal olhou sério pra nós, que por um mero acaso estávamos no Empório, e perguntou se sabíamos de algo… Não… Foi a resposta.
Dias depois, a mãe do nosso amigo foi fazer compras no Empório e candidamente perguntou ao meu pai:
– E então, os meninos conseguiram "fazer" o galo que eles trouxeram para eu limpar?
Durante 10 dias todo mundo sumiu. O Juca por uns 30.
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