A volta pra casa

Era prazerosa a volta da escola! Formávamos um alegre bando que
aos poucos ia se dispersando! Descíamos a Angélica, Praça Marechal Deodoro, Avenida General Olímpio da Silveira em direção ao Pacaembu. A primeira a nos deixar era a Claudete, que pertencia ao corpo de baile do Teatro Municipal, morava na esquina da Rosa e Silva. As seguintes: Maria do Rocio e Maria Lúcia Maurício, apesar de não irmãs, moravam no mesmo prédio, no meio do quarteirão seguinte. Regina Martha Pasternak era a próxima, também do Teatro Municipal, atravessava em frente ao Circo Piolim. Eu, em frente ao Cine Santa Cecília, descia a Conselheiro Brotero. A Zélia Krasovic, grande amiga então, moradora do segundo Edifício Pacaembu, seguia junto com Danilo João de Carvalho Petta (Rua Tupy), Teté (Avenida Pacaembu) e Djalma Allegro (Rua Candido Espinheira, em frente à Pfizer). O Djalma tinha sensibilidade de artista e graças a ele conquistei meus cinco minutos de fama na adolescência, embora ele não saiba: dirigia peça estudantil no grêmio da escola em que também interpretava o arlequim, o Danilo era o Pierrot e a linda Zélia a colombina. Como eu passava o texto com a querida Zélia e o sabia de cor, certa feita, como ela se retirou antes do ensaio, ele me pediu para que eu a substituísse dizendo-me ao final que eu deveria seguir carreira: "você tem voz espetacular para o teatro". Tal elogio, vindo do magnífico Djalma, ídolo das ginasianas, me tirou várias noites de sono. Há que se considerar que estávamos nos anos 1960 e tudo ganhava uma importância maior. Éramos jovens!

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