Histórias marcantes

Dos bravios sertões da noroeste, mais precisamente do município chamado Ponga, interior de São Paulo, que em tupi-guarani quer dizer salto d’água, chegava à bela terra de Piratininga, minha família. Fomos morar entre o Brooklin e Santo Amaro, mais precisamente na Rua Manoel de Nóbrega, que ficava defronte ao Banespa. Nesta rua meu pai abriu um Empório de secos e molhados, como se dizia na época, e deu-lhe o nome de Empório Ponga, que era o único da redondeza. Do balcão desse empório, presenciamos muitas histórias e tipos que marcaram nossa infância, inclusive de nossos amigos de então. Eis algumas delas:
Jaime da Barata – Comia barata viva com sal por qualquer trocadinho e uma dose de pinga e era a maior farra ver a garotada caçando a barata para ele comer.
Dr. Nogueira – Apelidado de dr. Fogueira, pois bebia de manhã até a noite sem parar, coca-cola com rum, cuja bebida deu-lhe o nome de diabinho. E depois ia dormir no quartinho que havia nos fundos e só acordava no dia seguinte.
João Ramos – Era proprietário de uma pequena fábrica de arcos de pua e todas as vezes que ia tomar aperitivos levava um empregado e cada copo que o empregado tomava, mandava jogar no chão para quebrar. No final mandava cobrar tudo e pagava, sobrava para nós ir catar os cacos e lavar o chão.
Paulo A. R. Schubert – Era o gozador, só vivia no espírito de gozação. Armava intriga entre os freqüentadores e caía na risada.
Rafael Sapateriro – Era tão medroso que tinha medo de ir sozinho para casa tarde da noite, com temor de que aparecesse a mula sem cabeça e fantasmas, então pedia para alguém ir com ele embora.
Adriano do Parque – Só andava de calça larga e com bolsos cheios de dinheiro que gostava de exibir para todos para dizer que era rico.
João Três Pulos – Jogador de várzea. Cada vez que ia cobrar uma falta, dava três pulos antes de bater na bola e o incrível é que quase sempre marcava.

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