O Marechal da Liberdade

Sou da paz. Somos da paz. Para que a celebremos há, porém, que se sepulte o conflito com honras e flores e, ironicamente, salvas de tiro. Paz. E a crer que não houve um dia sequer na história da humanidade em que ela tenha reinado absoluta…
Certo é que vivemos – e morremos – infelizmente, em guerra permanente. Iraque, Sudão, Coréia, Vietnã, Birmânia, Tibete, Colômbia, Rio de Janeiro… Guerras civis, oficiais, guerras interiores, conjugais, fratricidas, frias, sujas… Guerras. Delas, dessas guerras, há sempre os que sobrevivem para contar suas histórias e façanhas ou chorar seus mortos. Afortunados? Talvez não. Muitos estão condenados a carregar mundo afora dentro deles o conflito como um estilhaço de granada inextirpável.
Um desses personagens é o Marechal. Ou General. Dêem-lhe a patente que quiserem. Ele continuará a marchar com garbo dentro do seu uniforme de campanha a fazer a sua ronda ostensiva pelas ruas do Bairro da Liberdade. Nos seus ombros estreitos, carrega divisas. No peito raquítico exibe medalhas e comendas que lhe agraciaram por algum ato de bravura.
Pouco se sabe do seu histórico militar, em que guerras combateu, contra quem lutou. Supõe-se apenas que tenha sido em algum lugar no Oriente. Haja vista que ele, o Marechal, é um cidadão de cerca de setenta anos de origem asiática. Japonês? Chinês? Coreano? Ninguém sabe afirmar ao certo.
Passeando pelo bairro da Liberdade é comum encontrarmos este herói pândego munido de um apito e de um cassetete a fazer valer a sua autoridade de guardião da lei e da ordem.

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