Em 1933 na cidade de São Paulo, caiu em desuso o chapéu. Até há bem pouco tempo, todos os homens e mulheres portavam vistosos chapéus no seu cotidiano. A Rua Santa Ifigênia era o local onde se concentravam as lojas que comercializavam esses artigos. Creio (ouvi falar), que até hoje na ladeira que vai da santa Ifigênia para o largo do antigo correio, existem algumas lojas remanescentes daqueles áureos tempos.
Com o chapéu fora de moda, a crise no setor se instalou e quase todas as lojas que faziam do chapéu seu comércio faliram, as fábricas Ramenzoni e Prada que até então empregavam muita mão de obra, foram obrigadas a ir diminuindo seus funcionários e reduzindo sua produção. Na Rua Barão de Itapetininga, ponto chique do comércio, também havia algumas lojas "finas" (como se dizia naquele tempo), que também não escaparam da crise. Eu, que era proprietário de uma loja naquele local, também não escapei da dura sina e por conta de tal revés, meu casamento foi adiado por alguns anos. Crise, crise, quando nos dias que correm vejo na televisão e nos jornais as inúmeras crises econômicas que o mundo passa, tenho a certeza de que a história sempre se repete e ao contrário do que correntemente a sabedoria popular fala, parece que nunca aprendemos nada com elas.
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