Raras foram as vezes em que, nas conversas com amigos meus, ou com pessoas das minhas relações, não tenha surgido esta pergunta. Teria realmente existido um fantasma na Vila Maria?
A esse respeito, as respostas são divergentes. Uns acham que o marido de uma ex-vizinha não tinha realmente morrido, outros acham que o defunto realmente morreu, mas que continua a visitá-la todas as noites.
Em 1983 eu morava na Rua da Gávea e tinha uma vizinha que tinha a fama de ser muito dedicada ao marido e fizera uma jura de fidelidade por toda a eternidade. Mas aconteceu o pior. Durante uma partida entre Corinthians x Palmeiras o coração do infeliz deixou de funcionar depois que Sócrates deu passe de calcanhar para o Zenom e este estabeleceu 1×0 para o Timão.
Após uns dois meses do passamento, foi visto por várias testemunhas a figura de um fantasma sair de madrugada pela janela da minha vizinha.
Estabelecida a dúvida. Estaria a viúva traindo o defunto ou teria prevalecido a má vontade dos vizinhos com a integridade moral da jovem senhora? Pelo sim ou pelo não, resolveram os moradores da Rua da Gávea fazer um revezamento e passaram a vigiar a residência da então distinta senhora todas as noites.
Para não prolongar a história e não deixar os leitores em amarga expectativa, vamos ao resultado da investigação. Descobriu-se logo na segunda semana de vigília que o visitante noturno não era o marido falecido, mas sim o proprietário de uma gráfica na Vila Sabrina, também corintiano como o defunto, que, para consolar a infeliz viúva, todas as madrugadas comparecia para rezar em dueto pela alma do ex-torcedor do timão.
Portanto amigos, está decidido para sempre… Fantasmas não existem.
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