Hélio Ribeiro, alquém se lembra?

“Os ponteiros apontam para o infinito”

12 HORAS

“Viver é a Arte de Preencher os Espaços Vazios"

Ah! Bons tempos… Conheci pessoalmente o Hélio Ribeiro. Foi por acaso, num lance de sorte que tive ao concorrer a um LP com que, vez ou outra, o grande apresentador premiava um ouvinte. Certa vez voltava da escola ouvindo o programa dele como de hábito. Era apaixonada por aquela voz! Aliás, eu e o Brasil inteiro! Fazia-me sonhar com amores inexistentes e esperados ansiosamente… Devo ao Hélio Ribeiro grandes momentos em que quase conseguia levitar ao ouvi-lo traduzir as letras das músicas que colocava no ar… E as frases maravilhosas que dizia no decorrer do programa? Dava frissons até na minha avó paterna, viúva leal e amante fiel à alma de vovô!… Agora vejam, amigos: se minha avozinha, já em provecta idade "transava" com o charmoso Hélio Ribeiro ao som de sua voz (nãnãnãnãninãnão! Não quero denegrir a imagem da minha santa avó, que Deus a tenha! O verbo "transar", no caso, indica "entrar em transe"!). Imaginem esta pobre mortal que, à época, estava com os hormônios à flor da pele? Gente… Era algo de incrível!…
Naquele dia fui buscar meu LP – o antigo vinil dos tempos que não voltam mais… Nervosa e bastante ansiosa, com o coração a mil, saltando pela boca, finalmente ia conhecer "a voz"! Bati à porta que, após um segundo, abriu-se sozinha. Entrei numa sala simples, bem mobiliada e vazia. Quando virei para retornar em direção à saída, lá estava ele: atrás da porta. Sorrindo, brincou, dizendo: "pensou que fosse um fantasma, né?" Caí na risada e logo me descontraí. Gentilmente, convidou-me a sentar e trocamos algumas palavras. Em seguida, abriu a gaveta e de lá tirou o disco, entregando-me com uma dedicatória. Agradeci e nos despedimos com um respeitoso aperto de mão. Naquele tempo não se dava beijinho como hoje, não! E, assim, voltei para casa: em estado de graça e completamente "abobada"… No dia seguinte, na escola, teve até fila para as meninas verem e beijarem a assinatura dele! Nunca mais esqueci daqueles momentos que marcaram minha juventude e – por que não dizer? – a minha vida, já que até hoje vibro quando lembro da linda e estonteante voz do charmoso e inesquecível Hélio Ribeiro. Pena, muita pena que o disco ficou lá atrás, no passado, entre tantas lembranças e pertences que desaparecem com o correr do tempo… Talvez porque não saibamos aquilatar, quando jovens, o quanto o tempo passado e ausente, será valioso no nosso futuro, hoje, presente…
Um grande abraço a todos os eternos jovens daqueles incríveis tempos…

e-mail da autora: [email protected]