Nos anos 50 eram comuns os “bailinhos” em casas particulares, principalmente durante o ano letivo. Eram organizados por estudantes de ginásio a fim de levantar fundos para as festas de formatura do fim de ano.
No geral, eram as garotas que arranjavam um local, uma casa maior, com uma sala grande para servir de pista de dança. Quando a sala era pequena os rapazes removiam os móveis para um outro cômodo para liberar mais espaço. Findo o baile tudo era cuidadosamente reposto no lugar, senão a “turma” ficaria visada e a casa não mais seria cedida para as festinhas futuras.
Os rapazes se encarregavam de levar as “bebidas”: guaraná, sodinha, sucos e as meninas levavam os comes e bebes, por elas próprias preparados.
Quando não havia vitrola na casa, e, naquele tempo isso era comum, alguém se incumbia de levar o aparelho, os discos e igualmente as “agulhas” que se desgastavam com facilidade.
Não havia “disc jockeis” e destarte, muitos levavam alguns de seus discos preferidos para assegurar a oportunidade de dançar os ritmos escolhidos. No auge da festa, às vezes, havia confusão porque todo mundo queria tocar “o seu disco”, dançar “a sua música”… Os moços gostavam mais dos foxes, dos sambas-canções, dos boleros, já as moças queriam mais agitação (salvante as que estavam com os namoradinhos), preferiam dançar os swings, as rumbas, o baião.
Alguns anos depois surgiram os primeiros grupos “especializados em aparelhos de reprodução sonora”, a que chamavam de “orquestras invisíveis”, montando-se os “pick ups” em uma sala ao lado da pista e nesta colocavam-se as caixas de som.
Um detalhe importante era insistir com a garota, “dona da casa”, para convencer seus pais, seus irmãos, fosse lá quem fosse, a sair de casa, ir passear, ir ver as vitrines na “cidade”, ir ao cinema ou visitar parentes. O pessoal queria “ficar à vontade”, livre de vigilância constrangedora.
De qualquer forma, vivia-se a época da “escola risonha e franca”, a maioria dos bailinhos eram realizados à tarde e quando invadiam a noite, jamais passavam das 23 horas.
Os bailes eram animadíssimos e todo mundo gostava mesmo era de dançar. Não se bebia álcool, afinal éramos adolescentes… Somente alguns de nós fumavam e o faziam unicamente nos espaços ao ar livre.
Droga nem se sabia o que era, quem sabia dizia que era coisa de malandro, de bandido, puro veneno que levava os viciados para a cadeia ou para o hospital, quando não para o cemitério!
Ao final dos “bailinhos” os pais das meninas apareciam para buscá-las, nada de irem para a casa juntos… Os rapazes iam embora em grupos, contando as “peripécias” da festinha. Alguns exageravam em suas proezas e eram vaiados pelos demais, com grande algazarra e o guarda-noturno logo aparecia para pedir silêncio. Todo mundo estava em casa antes da meia-noite, embora às vezes fosse sábado. São Paulo era uma cidade bem comportada em que se respeitava o repouso noturno. Boemia? Só no Bom Retiro.
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