Esta semana, para defender o pedaço de pão de cada dia, fui ao centro da minha Sampa.
Aproveitei que ali estava e andei por vários locais da minha juventude. Fui até o prédio da Praça Antonio Prado nº 9, onde outrora a sede social do Jockey Club ocupava os andares inferiores e eu, muito metido, trabalhava no 9º andar como auxiliar contábil da Comercial e Importadora Restinga Ltda., cujos donos eram os irmãos Assumpção (Pedro e José), também muito ligados ao Jockey, o Dr. Pedro foi, inclusive, presidente desse clube.
Andei pela XV de Novembro, vi os vários edifícios que outrora foram sede de bancos famosos e que hoje não mais existem, tal como o Banco Comércio e Indústria de São Paulo, Banco São Paulo e outros.
Por fim, na hora que eu tinha de retornar para o Jabaquara, fui em busca do metrô me utilizando da entrada existente na Rua Boa Vista/Ladeira Porto Geral.
Como por encanto, senti minha boca se encher de água enquanto minha memória me jogava a pelo menos 53 anos atrás, quando nos meus 14 anos de folia e travessuras, costumava freqüentar aquelas paragens.
O motivo da água na boca foi porque naquela Ladeira, que liga a Rua Bóia Vista à região da Rua 25 de Março, ficava uma fábrica de doces sírios e eu, que trago no sangue e no paladar heranças genéticas dessa raça guerreira, na época, não media esforços para descer até a Rua Santo André, onde meu pai trabalhava ou a Rua 25 de Março, onde trabalhava meu tio Eduardo, pois sem muito esforço, conseguia ganhar alguns trocados para gastar, imediatamente, naquele endereço mágico.
Gosto de todos os doces sírios, mas, o meu predileto era e é ainda hoje, um doce feito com queijo: Halawi de queijo. Por ser um doce com custo de fabricação muito cara, não se consegue, hoje, encontrar no comércio, mas é realmente um doce para se comer de joelhos. Aliás, eu nunca vi ninguém tirar os joelhos para comer alguma coisa.
Certa vez, fiz uma aposta com meu amigo Luiz Loschiavo para ver quem comia mais pedaços desse doce, ganhei. Comi três quartos de uma bandeja e ele o restante. Não me perguntem o efeito dessa minha proeza no dia seguinte. Foi traumático…
Para me certificar, desci a Ladeira até o local onde estava instalada a fábrica e, decepção confirmada, nada mais existia por lá…
Cabisbaixo, voltei para o metrô e fiz o caminho da volta louco de vontade de saborear um pedaço daquele doce…
Doce lembrança, amarga realidade…
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