Sempre sobrava pro Mengálvio

Garoto, eu era fã ardoroso do Santos Futebol Clube; hoje, já nem tão garoto, continuo maluco pelo Santos Futebol Clube.
Assim que cheguei em São Paulo, comecei a jogar no infantil de um clube varzeano chamado Alvinegro (até hoje não sei se em homenagem ao Santos ou a "eles", mas tudo bem). Eu jogava com a 8, mas meu sonho era jogar com a 10, como todo menino que iniciava nos meandros do futebol.
No quintal de casa, às vezes sozinho, corria pra lá e pra cá com a bola nos pés, fazendo gols fantásticos, levando ao delírio uma galera imaginária e, nessa fantasia (que hoje meu filho João Victor – santista também maluquinho pelo time – repete), eu completava sempre a equipe mágica do Santos. Era bola com Pelé, Pelé para Edu, Edu para Coutinho, Coutinho recuava para o camisa oito Luizinho, que enchia o pé: Gooooool do Santos!
E o time inteiro – do Gilmar ao Edu – me abraçava, menos o Mengálvio, afinal, o banco tinha sobrado pra ele.

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