"Homem retira faca de dentro de um cavaquinho e agride populares em missa na Sé, enquanto São Paulo soprava suas 454 velinhas."
Isto, para o gênio criativo inigualável de Adoniran, renderia um bom samba. Mas não temos mais Adoniran, às vezes nem tempo para ouvir sambas.
Iracemas morrem aos montes em qualquer cruzamento da cidade.
O Trem da Cantareira há tempos não vai até o Jaçanã, nem mesmo às seis da manhã. Malocas são demolidas a qualquer hora do dia, em nome da nobre causa de erguer mais um prédio de vidro espelhado com nome em inglês.
O samba no Bixiga ainda existe, graças a Deus e à Vai-Vai.
E no Bixiga, ou no Brás, ou na Sé, ou em Cidade Ademar, Adoniran ainda permanece vivo. Até mesmo no Largo da Misericórdia, que não existe mais. Enquanto alguém dele lembrar, ele estará vivo.
Quanta saudade tenho de Adoniran, mesmo tendo nascido alguns anos após sua morte.
Parabéns São Paulo, "por você, sou capaz de tudo; sou capaz até de atravessar a Rua dos Gusmões lendo Ali Babá e os quarenta ladrões!"
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