Todos nós sabemos que inúmeras (muitas, na realidade) empresas paulistanas acabaram por inserir suas histórias na própria história do desenvolvimento da Paulicéia; da São Paulo, que caminha sob diretrizes de crescimento urbano, de eternas mudanças. E "mudanças" também são – e sempre foram – a marca característica, a inquietação do progresso paulistano.
Pois a memória da Cidade registra, nas diferentes paisagens de diferentes épocas, a presença constante daqueles caminhões amarelos e verdes, com o indefectível globo terrestre pintado na lataria, ao lado do nome tradicional, grafado em azul. Como outras tantas pessoas, também me lembro bem. Cinqüenta anos atrás, pelas ruas de Vila Mariana, minha retina "fotografava" os belos caminhões Chevrolet, do tipo "baú" (fechados), já à época empresa de razoável tradição: era o próprio sinônimo de "mudança". Bem entendido, para os paulistanos de classe média "mais bem aquinhoada", pois, nós, proletários – quando de mudança – nos servíamos mesmo de modestos caminhõezinhos "de aluguel" (como se falava), que faziam "ponto" nos bairros, geralmente ao redor de largos e praças. Como não lembrar dos enormes caminhões, da tradicional empresa, Fenemê semi-trailers, simplesmente idênticos aos ônibus papa-filas da CMTC? E outros, também Fenemês, verdadeiros "ônibus sem janelas", inclusive com carroceria CAIO ou Grassi: estes não tinham portas laterais e, sim, uma enorme porta traseira por onde a mudança entrava e saía, porta essa semelhante àquelas das lanchas de desembarque de soldados, por exemplo, daquelas do Dia-D… Que, em se abrindo, despejavam os soldados na praia.
Nas edições de domingo, costumavam sair no "Diário de São Paulo" (aquele, das Associadas, não o atual) anúncios de página toda, ilustrados, desses enormes veículos de mudança. Que, infelizmente, não guardei…
Pois bem: creio fazer parte da memória paulistana lembrar esses trabalhadores que, já por oito décadas, "mudam", com São Paulo. É uma tradição paulistana.
É, pois, categórico: "O Mundo gira, A Lusitana roda"! Desde 1921!
O Mundo, esse, com certeza, "Et pur si muove", um "pouco" antes, não é mesmo? Galileu Galilei poderia garantir que sim…
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