Eu sou Jumar Gomes Motta e servi no Primeiro Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado da Primeira DIE. Hoje Regimento Tenente Amaro, sediado em
Valença, Rio de Janeiro. Hoje não vou falar de Guerra. Quero contar uma história diferente. Lá na Itália, quando tivemos os primeiros dias de descanso (repouso), fomos para os Alpeninos, onde ficamos alguns dias para reabilitação "Granaglione". Lá conheci um italiano, "partigiano", tínhamos naquela época, 25 anos. Ele era Tenente do Exército Italiano. Por causa dos fascistas, ele e outros abandonaram o exército e formaram um outro exército para combater os próprios compatriotas. Juntaram-se a nós e pelo conhecimento que possuíam da geografia do terreno, foram de grande utilidade para nós. Naqueles dias difíceis e diante do perigo eminente, acabamos nos tornando amigos.
Depois a guerra prosseguiu e cada um tomou destino diferente. Resumindo: de volta para o Brasil ainda mantinha contato com ele através de cartas. O tempo passou, eu fui para a Escola, casei-me e perdi contato com ele. Eu sempre tentei por todos os meios de que dispunha para encontrá-lo. Não consegui. Não desisti. Estava sempre tentando de alguma forma encontrá-lo. Assim se passaram 60 anos. Há pouco tempo, passou pelas minhas mãos, um e-mail onde existia um internauta com o seguinte endereço: Viajando pelo mondo.
Não perdi tempo: entrei em contato com ele e pedi para verificar a possibilidade de um e-mail na Itália com quem eu pudesse me comunicar. A resposta veio quase que instantânea. "Jumar, diga logo o que queres que talvez eu possa te ajudar.” Eu contei a história. No dia seguinte recebi um e-mail de alguém que me disse. “Fulano me pediu para te ajudar. Estou indo para a Itália. Diga logo o que queres e seja claro.” Resumindo: uma semana depois essa pessoa já havia descoberto meu amigo, vivo e gozando boa saúde. Ficamos atônitos. Eu pensava que não era ele e ele também ficou em dúvida. Apos trocarmos algumas cartas, a dúvida acabou. Finalizando: esta semana ele mandou para mim, pela internet, cópia de duas cartas e três fotos que eu lhe havia mandado em i946. Estavam intactas, como no dia que ele recebeu. Agora temos uma correspondência regular, por carta, pela internet e pelo telefone. Encontrar esse amigo foi a maior vitória que eu tive em minha vida. Maior até do que a vitória que tivemos na Guerra. Essa história eu conto todos os dias aos meus filhos, netos e bisnetos, com muito orgulho. Não poderia deixar passar esta oportunidade também. Vocês me desculpem pelo tempo tomado.
Certo da compreensão de todos, aqui se despede, incondicionalmente,
o veterano Jumar Gomes Motta.
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